quinta-feira, fevereiro 26, 2026

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Emagrecer sem treinar pode acelerar perda de autonomia e aumentar risco de efeito rebote

O emagrecimento rápido tem se tornado tendência, mas especialistas alertam que perda de peso sem exercício físico pode trazer impactos silenciosos à saúde

O uso de medicamentos para emagrecimento cresceu de forma significativa nos últimos anos. Segundo uma pesquisa realizada pelo CFF (Conselho Federal de Farmácia) e o Instituto Datafolha, 24% dos brasileiros já usaram alguma substância para emagrecer. Nesse contexto, muitas pessoas estão conseguindo reduzir peso sem necessariamente incluir exercício físico estruturado ou melhora da dieta na rotina diária.

A balança responde, as roupas ficam mais largas e o objetivo parece finalmente ter sido alcançado, mas algo importante está sendo deixado de lado. Segundo a Clarissa Rios, médica, educadora física e CEO da DoctorFit, o corpo não perde apenas gordura quando não há estímulo muscular adequado, ele perde também massa magra, força e capacidade funcional.

“O emagrecimento sem exercício pode gerar um corpo metabolicamente mais vulnerável e estruturalmente mais fraco, e, queixas do tipo ‘emagreci, mas fiquei mais fraco’, `emagreci mas estou flácida`, começam a acontecer”, afirma Clarissa.

Apesar de o corpo estar mais leve, tarefas simples começam a exigir mais esforço, somado à diminuição da disposição, as dores começam a aparecer com mais frequência e a sensação de falta de força corporal aparece.

“Ao emagrecer sem fazer treino de força e estímulo muscular, pode ocorrer redução significativa de massa magra, queda de força e resistência, maior risco de dores e lesões, piora na mobilidade e comprometimento da autonomia a médio e longo prazo. Músculo não é apenas estética, ele sustenta articulações, protege contra lesões, melhora equilíbrio e mantém o metabolismo ativo”, complementa a especialista.

Além da perda de força e desempenho físico, Clarissa chama atenção para um outro ponto pouco discutido: o impacto metabólico e comportamental do emagrecimento sem movimento. Quando o paciente não associa o processo a uma mudança ativa de estilo de vida, ele tende a enxergar o resultado como algo externo, dependente apenas do medicamento. Isso fragiliza a manutenção a longo prazo e aumenta o risco de efeito rebote.

Sem o estímulo do exercício e com a perda expressiva da musculatura, o corpo também reduz seu gasto energético basal, o que pode dificultar a estabilidade do peso após a interrupção do tratamento. Outro aspecto relevante é a relação com a própria percepção corporal. Segundo a especialista, emagrecer sem desenvolver capacidade física pode gerar uma desconexão entre aparência e desempenho.

“A pessoa vê um corpo menor no espelho, mas não se sente mais capaz. Não corre melhor, não tem mais disposição, não se sente mais ativa. Isso impacta a autoestima e confiança funcional”, comenta Rios. O resultado é um emagrecimento que altera medidas, mas não necessariamente melhora a qualidade de vida.

O exercício físico tem um papel que vai além da composição corporal, ele consolida o emagrecimento como transformação estrutural. Ao treinar, o paciente não está apenas queimando calorias, está ensinando o corpo a sustentar o novo peso com eficiência, vitalidade e independência. Emagrecer deveria significar ganhar liberdade, não depender permanentemente de um recurso externo.

Sobre

Clarissa Rios é médica e educadora física, com atuação focada em medicina do exercício, promoção da saúde e gestão de negócios na área fitness. À frente da DoctorFit, rede de franquias de estúdios premium de treinamento físico, consolidou um modelo de negócios que une ciência, tecnologia e acompanhamento individualizado, tornando a marca referência no segmento de treinamento personalizado de alta performance. Sua trajetória combina prática clínica, visão estratégica e inovação, pilares que sustentam a expansão da DoctorFit no país.

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