quinta-feira, julho 9, 2026

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Queda de cabelo aumenta no frio? Médicos explicam os impactos do inverno na saúde capilar

Mudanças de temperatura, banhos mais quentes e alterações na rotina podem influenciar a saúde dos cabelos e do couro cabeludo; médicos explicam quando é necessário manter a atenção

Com a chegada das temperaturas mais baixas, uma dúvida volta a preocupar homens e mulheres: afinal, o cabelo cai mais no inverno? Essa percepção é comum durante os meses frios, mas a resposta envolve uma combinação de fatores fisiológicos, hábitos típicos da estação e características individuais de cada pessoa.

Embora não exista uma regra absoluta que determine que todas as pessoas apresentem aumento da queda capilar de acordo com estações específicas do ano, estudos dermatológicos sugerem que a queda capilar pode ser mais intensa no verão, e não no inverno. Acredita-se que esse seja um mecanismo adaptativo relacionado ao maior período de exposição solar do couro cabeludo, com possíveis explicações evolutivas.

No inverno, os cabelos teriam um papel térmico e de cobertura mais essencial do que no verão. Mas por que, então, muitos pacientes relatam uma maior percepção de queda capilar nessa época? Uma das explicações mais aceitas está, provavelmente, na redução da frequência de lavagem dos fios, com consequente maior observação da queda nos dias em que os cabelos são lavados. Como cada indivíduo tende a perder cerca de 100 fios por dia, a menor frequência de lavagem faz com que os fios já desprendidos permaneçam no couro cabeludo e acabem por se soltar durante o banho, aumentando a percepção de uma queda aparentemente excessiva.

De acordo com o dermatologista Dr. Hudson Dutra, do Instituto Thiago Bianco, a sazonalidade pode influenciar o ciclo capilar em algumas pessoas, mas não é capaz de causar uma rarefação que resulte em percepção evidente de calvície.

“Estamos falando de um tipo de queda capilar chamado eflúvio telógeno, que, por definição, não é capaz de causar rarefação importante no couro cabeludo ou falhas pontuais. Caso isso aconteça, outros diagnósticos devem ser investigados”, explica o médico.

Banho quente pode prejudicar os fios?

Além das possíveis alterações fisiológicas, o inverno costuma trazer mudanças de comportamento que impactam diretamente a saúde do couro cabeludo. Entre elas estão os banhos mais quentes, o uso frequente de secadores em altas temperaturas, a permanência do couro cabeludo úmido após o banho noturno, inclusive durante o sono, e a menor frequência de lavagem dos cabelos.

Uma das práticas mais comuns durante os dias frios também é uma das mais prejudiciais ao couro cabeludo.

A água excessivamente quente remove a oleosidade natural responsável pela proteção da pele e dos fios. Como consequência, pode ocorrer ressecamento dos cabelos e agravamento da dermatite seborreica, condição que pode estar associada ao aumento da oleosidade do couro cabeludo.

“O banho quente não provoca calvície, mas pode comprometer a saúde da microbiota do couro cabeludo. Quando a barreira natural da pele é agredida, surgem condições que favorecem inflamação, coceira, ressecamento ou aumento da oleosidade. Por isso, recomendamos banhos com água morna. Isso, porém, não interfere diretamente na queda de cabelo”, orienta o Dr. Hudson Dutra.

Quando a queda de cabelo deve ser investigada?

Embora a queda de cabelo possa ter causas transitórias, ela merece investigação, especialmente quando é persistente, intensa ou acompanhada de outros sinais clínicos. Sintomas como perda de peso, febre e dores nas articulações podem indicar doenças que exigem avaliação médica. É importante lembrar que tanto condições simples, como deficiência de vitamina D, quanto doenças mais graves, como o lúpus sistêmico, podem ter a queda capilar como manifestação inicial. A única forma de identificar a causa é por meio de investigação clínica e exames complementares, quando indicados.

Como diferenciar queda capilar excessiva da calvície?

Nos casos de queda capilar sazonal, deficiência de vitaminas, alteração de peso ou outros fatores transitórios, a perda dos fios costuma seguir um padrão de início gradual, com piora ao longo de dois a três meses e melhora lenta nas semanas subsequentes.

Independentemente da causa da queda capilar, não se espera que todo o couro cabeludo se torne visível, pois essa é uma manifestação típica da calvície, tanto em homens quanto em mulheres. De forma prática, cabelos ralos, que permitem maior visualização da pele do couro cabeludo, geralmente estão relacionados a algum grau de alopecia androgenética, enquanto uma queda capilar súbita e intensa é mais sugestiva de eflúvio telógeno.

“É importante observar a evolução do quadro nos últimos meses e realizar uma avaliação dermatológica cuidadosa, uma vez que o eflúvio telógeno e a alopecia androgenética, mais conhecida como calvície, frequentemente coexistem”, explica o Dr. Hudson Dutra.

Atualmente, existem diversas opções terapêuticas para controlar a perda capilar, incluindo medicamentos, terapias físicas, protocolos clínicos individualizados e mudanças de hábitos.

Nos casos mais avançados, quando há perda significativa dos folículos, o transplante capilar pode ser considerado uma alternativa para recuperar áreas já comprometidas. No entanto, os médicos reforçam que a avaliação individual é indispensável para definir a abordagem mais adequada.

“Quando a queda de cabelo se torna excessiva ou persistente, é fundamental buscar a avaliação de um médico para identificar a causa e definir o tratamento mais adequado. Em casos selecionados, o transplante capilar pode ser uma alternativa eficaz e segura para restaurar a densidade dos fios, desde que haja indicação clínica e expectativas alinhadas com os resultados do procedimento”, explica o cirurgião referência em transplante capilar Dr. Thiago Bianco Leal.

Cuidados que ajudam a manter a saúde capilar no inverno

Para preservar a saúde dos fios durante os meses frios, os médicos recomendam:

  • Evitar banhos muito quentes;
  • Manter uma alimentação equilibrada e rica em nutrientes;
  • Lavar os cabelos regularmente;
  • Utilizar produtos adequados ao tipo de cabelo;
  • Adotar estratégias para reduzir o estresse;
  • Buscar avaliação médica diante de queda persistente ou afinamento dos fios.

“A saúde capilar é um reflexo da saúde do organismo como um todo. Observar mudanças nos cabelos e procurar orientação médica quando necessário é a melhor forma de prevenir problemas maiores e manter a qualidade dos fios ao longo da vida”, conclui o Dr. Thiago Bianco Leal.

Sobre Thiago Bianco Leal

Médico cirurgião com mais de 17 anos de atuação, Thiago Bianco Leal é graduado em Medicina pela Universidade de Marília e atua exclusivamente na área de transplante capilar. Com experiência em técnicas modernas, já realizou mais de 10 mil procedimentos. Ao longo de sua carreira, foi responsável por diversos procedimentos realizados em figuras públicas como Tom Cavalcante, Roberto Carlos, Lucas Lucco, o empresário Kaká Diniz e Xuxa Meneghel.

Sobre Hudson Dutra Rezende

Dermatologista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, Mestre em dermatologia pelo Hospital das Clínicas da USP de São Paulo. Colaborador do ambulatório de tricoses do Hospital das Clínicas da USP de São Paulo e coordenador do serviço de alopecias da Fundação Lusíada, Santos.

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