segunda-feira, julho 13, 2026

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Férias escolares pedem equilíbrio entre tecnologia e convivência

No recesso escolar, cresce a necessidade de ampliar experiências e atividades

Com a mudança de rotina nas férias escolares, o tempo diante das telas tende a crescer dentro de casa. Estudo publicado no JAMA Pediatrics, em junho de 2026, mostra que 77,6% dos pais e 68,7% das crianças de 4 a 10 anos já usam dispositivos eletrônicos durante a refeição em família, nos Estados Unidos. Para a pedagoga Mariana Buratto, coordenadora pedagógica da Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental na Escola Gracinha, em São Paulo, com base nesse cenário, o período exige equilíbrio entre o uso de tecnologia e experiências presenciais.

“As férias são uma oportunidade importante para que as famílias vivam momentos de desconexão, que elas possam compartilhar de experiências presenciais, de convívio, de contato”, afirma. Em vez de proibir o uso de dispositivos, a orientação é ampliar as possibilidades no cotidiano e criar boas oportunidades de escolha. “Quando a criança tem oportunidade de explorar a casa, de encontrar pessoas, ou descer para brincar com o amigo do prédio, cozinhar com a família, desenhar, passear, enfim, a necessidade de ela recorrer à televisão, ao videogame, ao tablet, isso tende a diminuir”, completa.

A organização da rotina contribui para reduzir conflitos. Estabelecer previamente horários e limites evita negociações constantes e ajuda a criança a compreender o uso adequado. “Se a gente tem acordos prévios e claros quanto ao uso, o tempo de uso para as telas, isso facilita nesses momentos”, explica. Ao mesmo tempo, o comportamento dos adultos é determinante. “Os adultos também precisam atuar como modelos nesse momento”, ressalta.

No campo da leitura, o período pede menos cobrança e mais estímulo. “Acho que a nossa grande missão é despertar, mesmo, o prazer pela leitura, ao invés de ficarmos exigindo que todos os dias a criança leia um capítulo”, diz. Para isso, o ideal é tornar os livros e outros portadores de texto acessíveis e permitir que a criança escolha o que deseja ler. “Seja história em quadrinhos, seja uma revista, seja um livro de curiosidades”, exemplifica. A leitura compartilhada também segue como estratégia relevante. “Elas aprendem a ser leitores vendo exemplos de leitores”, pontua.

Importância do tempo livre

Mais do que preencher a agenda, as férias devem garantir tempo livre e experiências diversificadas. “As férias são um tempo privilegiado para que as crianças possam brincar livremente, para elas estarem ao ar livre, explorarem a natureza, encontrarem os amigos”, afirma. Nesse contexto, o ócio ganha um papel central. “Elas terem tempo para inventar brincadeiras, viverem situações não planejadas. Então, isso é muito potente para o desenvolvimento das crianças como um todo”, comenta.

Cursos de férias podem ser uma alternativa para famílias com rotina intensa de trabalho, desde que não reproduzam o ambiente escolar. “O maior valor de um curso de férias é isso: ter tempo para brincar, para explorar mesmo outros espaços, outras atividades, vivências que muitas vezes não cabem ali na rotina da escola”, enfatiza. A recomendação é priorizar propostas com oficinas de arte, culinária, música, esporte, jogos e atividades ao ar livre, com espaço para a criatividade.

No fim, o recesso escolar se destaca como uma oportunidade de fortalecer vínculos e construir memórias afetivas. “O tempo compartilhado é um dos grandes presentes que as férias podem oferecer para a criança”, resume a pedagoga. 

A seguir, quatro dicas para as férias escolares:

– Evitar agendas totalmente estruturadas: garantir tempo para “brincar livremente” e também para “situações não planejadas”, valorizando o ócio.

– Favorecer experiências ao ar livre e de exploração: incluir natureza, encontros com amigos e liberdade para circular e brincar.

– Estimular o brincar com diferentes possibilidades no cotidiano: cozinhar, desenhar, passear e explorar a casa como alternativas às telas.

– Fortalecer vínculos e convivência familiar: incluir momentos de contato, diálogo, conflitos, organização da rotina e tempo compartilhado.

Sobre Mariana Buratto

Pedagoga pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Coordenadora pedagógica da Educação Infantil e dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental na Escola Gracinha, em São Paulo. Possui pós-graduação em Educação Inclusiva e Psicopedagogia Escolar pelo Instituto Singularidades e em Relações Interpessoais na Escola: das competências socioemocionais à personalidade ética pelo Instituto Superior de Educação Vera Cruz.

Sobre a Escola Gracinha

A Escola Gracinha é mantida pela Associação Pela Família, uma organização sem fins lucrativos, que alia tradição e inovação para formar estudantes críticos, criativos e conscientes. Da Educação Infantil ao Ensino Médio, valoriza o protagonismo, a colaboração e os aprendizados significativos, em uma comunidade acolhedora e comprometida com a construção de um mundo mais justo e sustentável.

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