quarta-feira, julho 8, 2026

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Creators do MVM movimentam R$ 410 milhões no TikTok Shop e apontam nova fase do varejo digital no Brasil

Cases de afiliados que saíram de mercados tradicionais mostram como conteúdo, comunidade e recomendação se transformaram em canais reais de venda.

A expansão do TikTok Shop no Brasil colocou uma nova variável na disputa do varejo digital: criadores que não atuam apenas como influenciadores, mas como meio de distribuição para marcas. Dentro desse movimento, membros do ecossistema liderado por Diogo Kobata geraram R$ 410 milhões em vendas no último ano dentro da plataforma, resultado que ajuda a traduzir, em números, a força do social commerce e da venda por vídeo e lives no país.

Empresário e especialista em ecossistemas digitais, Diogo Kobata lidera o MVM Group, que atua na intersecção entre criadores, tecnologia, distribuição, comunidade e crescimento empresarial. Entre os negócios do grupo está o MVM Creators, uma das maiores comunidades de creator economy da América Latina, criada para conectar pessoas e marcas por meio de oportunidades geradas pelos novos modelos de comércio digital.

O resultado dos membros do ecossistema acontece em meio ao avanço acelerado da TikTok Shop no Brasil. Em seu primeiro ano de operação no país, a plataforma registrou crescimento de 102 vezes no GMV (volume bruto de mercadorias) médio diário mensal. No mesmo período, o número de criadores afiliados ativos cresceu 46 vezes, enquanto o GMV gerado por lives avançou 161 vezes. Os dados mostram que o vídeo curto e as transmissões ao vivo deixaram de ser apenas formatos de entretenimento para se tornarem estruturas de venda.

Para Kobata, o fenômeno aponta para uma mudança mais profunda na forma como as empresas adquirem clientes. “Nossos membros geraram um VGV de R$ 410 milhões no último ano no TikTok Shop. Isso mostra que o criador deixou de ser apenas alguém que publica conteúdo e passou a ser uma força real de distribuição, aquisição de clientes e geração de vendas para marcas”, afirma.

A lógica é diferente da jornada tradicional do e-commerce. Em marketplaces e lojas virtuais, o consumidor costuma buscar ativamente um produto. No social commerce, a compra nasce dentro do conteúdo, a partir de demonstrações, lives, recomendações e narrativas criadas por pessoas que têm relação direta com uma audiência. O produto aparece no contexto do entretenimento, ganha prova social e pode ser comprado em poucos cliques.

Os cases dentro da comunidade ajudam a explicar por que esse modelo ganhou força. Nilto, conhecido como Niltex, é nordestino, do interior da Paraíba, e construiu sua carreira no mercado fitness. Profissional de Educação Física e ex-atleta de fisiculturismo, administrava uma pequena academia em sua cidade antes de entrar no universo da venda por vídeo. Depois de mais de dez anos no setor, enfrentou dificuldades financeiras, encerrou seu ciclo nas competições e perdeu a motivação para continuar na área.

A virada veio quando uniu a experiência acumulada no fitness ao nicho de suplementação dentro da TikTok Shop. Por meio das Live Shops, Niltex passou a apresentar produtos ligados a um mercado que já conhecia de perto e hoje fatura mais de R$ 1 milhão por mês. O caso mostra uma das principais forças do social commerce: transformar repertório, vivência e autoridade prática em conversão.

Outro exemplo é o de Michel e Camila Pataro. Após 16 anos dedicados à atividade pastoral em tempo integral, incluindo 13 anos na Argentina, o casal voltou ao Brasil em 2023 por questões familiares e precisou recomeçar a vida aos 34 anos. Eles abriram uma agência de viagens, mas o negócio enfrentou dificuldades, concorrência e um prejuízo de aproximadamente R$ 50 mil após a inadimplência de um fornecedor. Em março de 2025, decidiram fechar a operação e buscar uma nova fonte de renda.

Em junho do mesmo ano, conheceram o MVM por meio de um podcast onde Kobata apresentava o curso. As primeiras comissões vieram em agosto e somaram menos de R$ 300, valor pequeno diante das dívidas acumuladas, mas suficiente para indicar que havia uma oportunidade real. A partir de setembro, os vídeos começaram a viralizar, as vendas cresceram e, em novembro, o casal já havia faturado o necessário para quitar os compromissos dos cartões de crédito. Um ano depois da decisão, Michel e Camila movimentaram cerca de R$ 14 milhões em vendas para lojistas.

O detalhe que chama atenção é que Michel sequer usava redes sociais antes de começar. Para Kobata, isso reforça que o social commerce não depende apenas de fama prévia ou grandes audiências, mas de método, consistência e capacidade de conectar produto, narrativa e comunidade. “A marca que entende esse movimento não olha para o creator como publicidade. Ela olha como canal. Quando existe treinamento, comunidade e tecnologia por trás, o creator passa a fazer parte da estratégia de crescimento da empresa”, conclui.

A ascensão da TikTok Shop pressiona uma lógica consolidada no comércio eletrônico, historicamente baseada em preço, frete, tráfego pago e presença em marketplaces. Agora, a disputa também passa pela capacidade de gerar confiança, ativar comunidades e construir distribuição própria por meio de criadores.

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