Thursday, August 13, 2026

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Comer ovos 5 vezes por semana reduz em 27% o risco de Alzheimer, revela estudo

Médicos neurologista e geriatra alertam que cuidados com a saúde cerebral devem começar até 30 anos antes dos primeiros sintomas de perda de memória. 

Minas Gerais – Agosto de 2026. Um alimento presente em diversas refeições do dia a dia pode estar associado a um menor risco de desenvolver a doença de Alzheimer. Um estudo publicado em 2026 no The Journal of Nutrition, periódico da American Society for Nutrition, identificou que pessoas que consumiam ovos cinco ou mais vezes por semana apresentaram um risco 27% menor de diagnóstico de Alzheimer em comparação com aquelas que raramente ou nunca consumiam o alimento. 

O estudo acompanhou 39.498 participantes por uma média de 15,3 anos e registrou 2.858 casos da doença durante o período. O efeito não apareceu apenas entre aqueles que comiam ovos com maior frequência. Segundo os dados publicados, o consumo de ovos de uma a três vezes por mês esteve associado a um risco 17% menor de Alzheimer; uma vez por semana, também a 17% menor; de duas a quatro vezes por semana, a uma redução de 20%; e cinco ou mais vezes por semana, a uma redução de 27%, sempre em comparação com o grupo que nunca ou raramente consumiam ovos. 

O neurologista e professor da Afya Montes Claros, Dr Marcelo José da Silva de Magalhães, comenta que uma das hipóteses mais interessantes para explicar essa associação envolve a colina, um nutriente essencial encontrado em concentrações particularmente elevadas na gema do ovo.

“A colina desempenha diversas funções importantes no organismo. Ela é precursora da acetilcolina, um neurotransmissor fundamental para processos como memória, aprendizagem e atenção, além de participar da formação e manutenção das membranas celulares e do metabolismo lipídico”.

Em outra análise, os pesquisadores observaram que a ausência de consumo de ovos esteve associada a um risco 22% maior de Alzheimer quando comparada a uma ingestão de aproximadamente 10 gramas por dia. O neurologista explica que entre os fatores de risco não modificáveis, destacam-se aqueles relacionados à genética, como a presença do gene APOE ε4. A idade avançada, o antecedente de traumatismo cranioencefálico e o histórico familiar positivo para a doença também estão entre os fatores que não podemos modificar.

“Por outro lado, existem os fatores de risco modificáveis, ou seja, aqueles sobre os quais o indivíduo pode atuar por meio de mudanças no estilo de vida. Nesse grupo estão a perda auditiva, a baixa escolaridade, a hipertensão arterial sistêmica, a obesidade, o tabagismo, a inatividade física, o diabetes mellitus, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas, a depressão, o comprometimento visual, a exposição à poluição atmosférica e o isolamento social”, complementa o especialista.

Alimentação no combate do Alzheimer 

Segundo a Alzheimer’s Disease International, mais de 55 milhões de pessoas conviviam com demência no mundo em 2020, e uma nova pessoa desenvolve demência a cada três segundos. A estimativa é de que esse número alcance 78 milhões em 2030 e 139 milhões em 2050. Atualmente, cerca de 60% das pessoas com demência vivem em países de baixa e média renda, até 2050, essa proporção deve chegar a 71%.

A médica geriatra e professora da Afya Contagem, Dra. Érica Abjaudi, esclarece que a nutrição atua diretamente na redução da inflamação sistêmica de baixo grau e do estresse oxidativo, dois dos principais mecanismos envolvidos no envelhecimento celular. “A microbiota intestinal também desempenha um papel fundamental na modulação do sistema imunológico e na síntese de neurotransmissores. Nesse contexto, uma dieta rica em fibras prebióticas favorece uma microbiota saudável, com impactos positivos na cognição e no humor dos idosos”.

Os cuidados devem começar o mais cedo possível, idealmente ainda no início da vida adulta. De acordo com Dra Érica Abjaudi, alterações patológicas no cérebro, como o acúmulo de placas amiloides na doença de Alzheimer e as lesões microvasculares, podem começar a se desenvolver de 20 a 30 anos antes do surgimento dos primeiros sintomas clínicos de perda de memória. A docente da Afya destaca:

Jovens e adultos (20–40 anos): é a fase de consolidação das reservas cognitiva e física. Estabelecer bons hábitos vasculares e de estilo de vida nessa etapa reduz significativamente o risco metabólico futuro.

Meia-idade (40–65 anos): representa uma janela crítica para o monitoramento da saúde vascular, incluindo pressão arterial, glicemia e colesterol. Também ganham importância o cuidado com a audição, uma vez que a perda auditiva não tratada é um fator de risco relevante para demência, e a manutenção da massa muscular.

Terceira idade (65+ anos): nunca é tarde para começar. Mesmo em idades mais avançadas, intervenções podem proporcionar ganhos na neuroplasticidade, melhorar a marcha, prevenir quedas e contribuir para a preservação da autonomia.

“Como precauções para reduzir o risco de Alzheimer, é importante manter uma rotina de atividade física regular, investir em estímulos cognitivos constantes (como aprender um novo idioma ou tocar um instrumento), priorizar um sono reparador e cultivar atividades sociais e conexões com pessoas reais, para além do mundo virtual”, conclui a médica.

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