terça-feira, agosto 11, 2026

Últimas Notícias

Nunca é tarde para parar de fumar, alerta geriatra

Especialista da SBGG explica por que abandonar o cigarro preserva autonomia, reduz complicações e melhora a qualidade de vida mesmo após décadas de tabagismo
 

Muitas pessoas acreditam que abandonar o cigarro depois dos 60 anos já não faz diferença. Mas, segundo geriatra da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), esse é um dos principais mitos sobre o tabagismo.
 

“Nunca é tarde para parar de fumar. É claro que quanto mais cedo a pessoa abandona o cigarro, maiores são os benefícios. Mas mesmo depois dos 60, 70 ou 80 anos, a interrupção do tabagismo reduz o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), câncer e doenças respiratórias. Diminui também sintomas como tosse e reduz as idas ao pronto-socorro”, explica Lucas Gomes de Andrade, médico geriatra e diretor da SBGG.
 

Na Geriatria, porém, os benefícios da cessação do tabagismo vão além da prevenção de doenças. O foco também está em preservar a capacidade funcional, ou seja, manter condições de realizar as atividades do dia a dia com autonomia e independência pelo maior tempo possível.
 

“Parar de fumar pode melhorar o fôlego, facilitar a prática de atividade física, reduzir infecções respiratórias, favorecer a recuperação após cirurgias e ajudar a pessoa idosa a manter sua independência por mais tempo. Em outras palavras, não é apenas viver mais. É viver melhor.”
 

Mais do que prevenir o câncer de pulmão
 

Embora o câncer de pulmão seja uma das principais doenças associadas ao tabagismo, os prejuízos do cigarro vão muito além desse diagnóstico. O hábito acelera o envelhecimento do organismo, favorece a perda de massa muscular, aumenta a fragilidade e compromete a capacidade funcional, fatores que interferem diretamente na autonomia e na qualidade de vida.
 

“Além de aumentar o risco de câncer, doenças cardiovasculares e respiratórias, o cigarro favorece perda de massa muscular, fragilidade e redução da capacidade funcional. Na Geriatria, nosso objetivo não é apenas aumentar a expectativa de vida, mas preservar autonomia e qualidade de vida. E parar de fumar é uma das medidas que mais contribuem para um envelhecimento saudável”, reforça Lucas.
 

Parar de fumar é a medida mais importante, mas não a única. O cuidado também inclui atividade física regular, alimentação adequada, vacinação, controle de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e, em alguns casos, a avaliação da indicação de rastreamento do câncer de pulmão por meio de tomografia de baixa dose, conforme critérios clínicos.
 

O papel do geriatra
 

O acompanhamento da pessoa idosa fumante vai muito além da recomendação para abandonar o cigarro. O trabalho do geriatra é compreender o momento de vida do paciente, identificar fatores que dificultam a cessação do tabagismo e construir um plano individualizado para aumentar as chances de sucesso.
 

“A principal estratégia é ajudar o paciente a parar de fumar: acolher as demandas, conversar e entender se ele está no momento de parar de fumar ou a presença de gatilhos como depressão e ansiedade. Educação continuada e apoio à cessação do tabagismo devem fazer parte do acompanhamento longitudinal. Esta medida continua sendo a que mais reduz o risco de câncer de pulmão e de várias outras doenças relacionadas ao tabagismo.”
 

Recaídas podem acontecer e fazem parte do processo de abandono do cigarro. “O primeiro passo é acolher, sem julgamentos. Muitos idosos fumam há décadas e já tentaram parar diversas vezes e essas tentativas não representam fracasso, fazem parte do processo. O geriatra procura entender o grau de dependência, identificar as dificuldades e construir um plano individualizado. Dependendo da situação, podemos utilizar orientação comportamental, envolver a família e lançar mão de medicamentos que aumentam as chances de sucesso. Também é importante acompanhar o paciente ao longo do tempo. Recaídas podem acontecer, mas isso não significa que a pessoa não conseguirá parar definitivamente,” finaliza Lucas.
 

Mais sobre a SBGG
 

A Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), fundada em 16 de maio de 1961, é uma associação civil sem fins lucrativos que tem como principal objetivo congregar médicos e outros profissionais de nível superior que se interessem pela Geriatria e Gerontologia, estimulando e apoiando o desenvolvimento e a divulgação do conhecimento científico na área do envelhecimento. Além disso, visa promover o aprimoramento e a capacitação permanente dos seus associados, contribuindo para um envelhecimento humano, digno e saudável.

Latest Posts

MAIS VISTAS