Conforto e sustentação dependem da estrutura do colchão e das características de cada pessoa, não apenas da rigidez do produto

Durante muito tempo, a ideia de que quanto mais duro o colchão, melhor para a coluna, foi tratada como uma verdade absoluta. No entanto, esse é um dos maiores mitos quando o assunto é qualidade do sono. O que realmente faz diferença para a saúde da coluna é a capacidade do colchão de oferecer sustentação adequada ao corpo, respeitando características como peso, altura, posição de dormir e até a distribuição da massa corporal.
Segundo o especialista em colchões e fundador da Carneiro Colchões Artesanais, Jarbas Carneiro, um colchão excessivamente rígido pode gerar pontos de pressão nos ombros, quadris e região lombar, enquanto um modelo muito macio favorece o desalinhamento da coluna. “O colchão ideal não é o mais duro nem o mais macio. Ele precisa manter a coluna alinhada e distribuir o peso do corpo de forma equilibrada. O conforto deve vir acompanhado de suporte”, explica.
Essa sustentação depende de diversos fatores, mas um dos mais importantes está na estrutura interna do colchão. A quantidade e a qualidade das molas, por exemplo, influenciam diretamente na estabilidade e na durabilidade do produto. Em modelos populares, é comum encontrar entre 160 e 180 molas por metro quadrado. Além da menor quantidade, essas molas costumam ser mais finas, o que pode reduzir a capacidade de sustentação ao longo do tempo e favorecer deformações com o uso contínuo.
Na Carneiro Colchões, a estrutura utiliza cerca de 50% mais molas por metro quadrado, todas de origem sueca, desenvolvidas para distribuir melhor o peso do corpo e oferecer suporte uniforme durante toda a vida útil do colchão. “A quantidade de molas, por si só, não resolve tudo, mas faz muita diferença quando está associada a materiais de qualidade e a um projeto pensado para o perfil de quem vai utilizar o colchão. O resultado é um conforto que permanece por muitos anos, e não apenas nas primeiras semanas de uso”, afirma Jarbas.
Outro ponto destacado pelo especialista é que o conceito de “colchão ortopédico” muitas vezes leva o consumidor a acreditar que a rigidez, sozinha, é sinônimo de benefício para a coluna. “Não existe um único colchão ideal para todas as pessoas. O que existe é o colchão adequado para cada biotipo e necessidade. Hoje, a tecnologia permite desenvolver produtos personalizados justamente porque entendemos que cada corpo precisa de um nível diferente de suporte”, destaca.
Essa personalização se torna ainda mais importante para casais com características físicas distintas. Diferenças significativas de peso ou preferência de conforto podem comprometer a qualidade do sono quando ambos utilizam um colchão com a mesma configuração. “Passamos cerca de um terço da vida dormindo. Escolher um colchão apenas pela sensação de firmeza durante alguns minutos na loja pode ser um erro. O que realmente importa é como ele sustenta o corpo ao longo de uma noite inteira e durante muitos anos de uso”, conclui Jarbas.

