segunda-feira, junho 22, 2026

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Menopausa ganha novo tratamento, com remédio não hormonal aprovado pela ANVISA

Ginecologista alerta que a nova opção contra ondas de calor exige prescrição e acompanhamento individualizado

Em todo o Brasil mulheres relatam noites interrompidas, calor repentino, suor intenso e a sensação de perder o controle do próprio corpo durante o climatério. Entre promessas naturais, fórmulas manipuladas e conselhos sem base, cresce a busca por alívio rápido. A aprovação do fezolinetanto pela ANVISA abre uma alternativa não hormonal para sintomas vasomotores moderados a intensos.

“O avanço é importante porque oferece uma nova rota de cuidado para mulheres que sofrem com fogachos e suores noturnos, mas ele não deve ser tratado como solução universal. A menopausa exige avaliação clínica, escuta e indicação precisa. Nenhum medicamento, mesmo não hormonal, deve ser usado sem prescrição e acompanhamento”, alerta a ginecologista e pesquisadora Fabiane Berta.

O fezolinetanto, comercializado como Veoza, atua no sistema nervoso central, em uma região do cérebro envolvida no controle da temperatura corporal. Na menopausa, a queda do estrogênio altera esse equilíbrio e favorece episódios de calor súbito e sudorese. O medicamento bloqueia seletivamente o receptor NK3, reduzindo a atividade que dispara esses sintomas.

Diferente da terapia hormonal tradicional, o novo tratamento não repõe estrogênio nem progesterona. Sua ação ocorre sobre a sinalização da neurocinina B, ligada aos neurônios KNDy, no hipotálamo. Na prática, a proposta é ajudar o organismo a modular o termostato interno, diminuindo a frequência e a intensidade dos episódios que comprometem rotina e descanso.

“Nem toda mulher precisa da mesma conduta. Algumas se beneficiam da terapia hormonal, outras têm contraindicações, receios ou perfis clínicos que pedem caminhos diferentes. A chegada de uma opção não hormonal amplia a conversa médica, desde que a decisão considere histórico, exames, medicamentos em uso e intensidade dos sintomas”, afirma a médica.

Os estudos de fase 3 que embasam a aprovação reuniram mais de 3 mil participantes. Em uma das análises, a dose de 45 mg reduziu a frequência dos sintomas vasomotores em 64% na semana 12. O material científico também aponta efeito observado desde o primeiro dia de uso.

Além dos calorões, os suores noturnos impactam sono, produtividade e qualidade de vida. O programa clínico mostra melhora em medidas relacionadas ao descanso, às atividades diárias e ao trabalho, pontos frequentemente minimizados quando a menopausa é reduzida a uma fase inevitável. Para muitas pacientes, dormir melhor significa recuperar energia, concentração e autonomia.

“Quando uma mulher deixa de dormir por causa dos suores noturnos, ela não perde apenas horas de descanso. Ela perde disposição, memória, desempenho profissional e estabilidade emocional. Tratar esses sintomas com seriedade é devolver qualidade de vida e até a produtividade, mas sempre com responsabilidade, porque segurança também faz parte do cuidado”, reforça Fabiane.

O medicamento é apresentado em comprimido de 45 mg, uma vez ao dia, e tem contraindicações que precisam ser observadas. O estudo cita hipersensibilidade ao princípio ativo, gravidez confirmada ou suspeita e uso conjunto com inibidores moderados ou fortes do CYP1A2, como fluvoxamina. Entre eventos adversos mais comuns aparecem diarreia e insônia.

“A novidade chega a um debate marcado por desinformação, medo da terapia hormonal e normalização do sofrimento feminino. Ao mesmo tempo, reforça que a menopausa precisa de diagnóstico, acompanhamento e opções terapêuticas baseadas em evidência. A aprovação amplia possibilidades, mas não substitui a consulta médica nem autoriza automedicação para cada mulher”, finaliza a especialista.

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