quarta-feira, julho 29, 2026

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Cobertura de luxo em que Elize Matsunaga matou o marido está à venda por R$ 2,8 milhões em SP; fotos

Imóvel reúne piscina privativa, sauna seca com sala de descanso, adega climatizada, cinco suítes, quatro vagas de garagem, dois depósitos no subsolo e vista panorâmica da capital

O apartamento onde Elize Matsunaga matou e esquartejou o marido, em maio de 2012, está à venda por R$ 2,8 milhões. Localizada na Vila Leopoldina, na zona oeste de São Paulo, a cobertura triplex reúne piscina privativa, sauna seca com sala de descanso, adega climatizada, cinco suítes, quatro vagas de garagem, dois depósitos no subsolo e vista panorâmica da capital. O imóvel, construído em 1990, ocupa quatro pavimentos do edifício.

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Na prática, a cobertura é formada pela junção de duas unidades residenciais. No período em que Marcos Matsunaga e Elize moravam no local, os apartamentos ocupavam dois andares e somavam cerca de 370 metros quadrados. A planta era marcada por corredores estreitos que se entrelaçavam como um labirinto, interligando salas de estar, sala de jantar, copa, bar, lareira, escritório, suítes e varandas. No terraço ficavam a churrasqueira e a piscina, enquanto um dos quartos foi transformado em uma adega climatizada para armazenar a coleção de vinhos do empresário. Além disso, o imóvel possuía um quarto do pânico, escondido atrás de um armário, com portas blindadas, sistema de climatização independente e linha telefônica exclusiva para emergências.

Um dos quartos era ocupado pela jiboia Gigi, criada pelo casal como animal de estimação. O réptil vivia em um recinto com banheira de fibra, fechada por uma tampa de vidro, e uma árvore onde costumava se enrolar. Apesar disso, era comum Gigi sair do cômodo e circular pela cobertura para tomar sol ou até se aproximar da piscina.

Foi na sala da cobertura que o crime começou. Na noite de 19 de maio de 2012, Marcos e Elize discutiram por causa da descoberta de uma relação extraconjugal do empresário. Depois de descer para buscar uma pizza, ele voltou ao apartamento e a briga recomeçou. Elize mostrou fotografias que comprovavam a traição. Segundo seu relato, Marcos passou a insultá-la. Nesse momento, ela pegou uma pistola e atirou na cabeça do marido. Horas depois, por volta das 23h, arrastou o corpo até o quarto de hóspedes.

Na manhã seguinte, cerca de dez horas após o homicídio, a ex-garota de programa Elize entregou a filha de 9 meses do casal aos cuidados da babá e voltou ao quarto de hóspedes. Ali, passou seis horas desmembrando o cadáver com uma faca de cozinha. Dividido em seis partes, o corpo de Marcos foi acondicionado em sacos plásticos e distribuído em três malas. Em seguida, ela dirigiu até uma região de mata em Cotia, na Grande São Paulo, onde abandonou os volumes, encontrados dias depois pela polícia.

Elize confessou o homicídio durante a investigação e participou da reconstituição do crime no próprio apartamento agora à venda, indicando aos peritos os cômodos por onde passou após o disparo. A confissão veio depois que a polícia reuniu provas que a ligavam diretamente à ocultação do cadáver, entre elas vestígios de terra encontrados na bota que ela usava, compatíveis com o local onde as partes do corpo de Marcos foram abandonadas em Cotia. Em 2016, ela foi condenada pelo Tribunal do Júri a 19 anos, 11 meses e um dia de prisão por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. Posteriormente, a pena foi reduzida para 16 anos, 3 meses e 3 dias pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Atualmente, ela cumpre o restante da condenação em regime aberto. Está morando em Franca, onde trabalha confeccionando roupas para pets.

Quando comprou as duas coberturas, em 2008, Marcos Matsunaga registrou uma delas em nome de Elize, por meio de uma doação. No entanto, com a condenação pelo assassinato do marido, ela perdeu o direito ao imóvel. Ainda assim, a disputa judicial se arrastou por anos. Até pouco tempo, havia um processo em que Elize buscava reaver a cobertura. Somente após o desfecho dessa discussão na Justiça é que os dois imóveis passaram a ficar integralmente em nome dos pais de Marcos Matsunaga. Resolvido o impasse, a família decidiu colocar a cobertura à venda.

Apesar de perder o apartamento, Elize não saiu do casamento de mãos abanando. O casal mantinha uma adega de vinhos nobres que chegou a ser avaliada em R$ 3 milhões, mas cujo valor caiu para R$ 1,8 milhão durante o inventário. Em um acordo firmado entre os advogados das duas famílias, os pais de Marcos compraram a parte que cabia à ex-nora por R$ 900 mil. O dinheiro foi usado por ela para custear sua defesa na esfera criminal e também em ações cíveis, entre elas a tentativa de restabelecer o contato com a filha do casal. Até hoje, Elize não conseguiu reverter judicialmente essa situação.

Embora esteja anunciado por R$ 2,8 milhões, o imóvel está cerca de 32% abaixo do valor de mercado, segundo a própria imobiliária responsável pelo anúncio. Enquanto imóveis semelhantes no edifício são avaliados, em média, em R$ 3,247 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 12,1 mil por metro quadrado, a cobertura onde ocorreu o crime está sendo oferecida por cerca de R$ 8,2 mil o metro quadrado. À reportagem, representantes da família Matsunaga afirmaram que o imóvel já foi vendido. Apesar disso, os anúncios permanecem ativos em pelo menos três imobiliárias e continuam permitindo o agendamento de visitas ao apartamento.

Elize Matsunaga participa da reconstituição do crime na cobertura agora à venda — Foto: Reprodução/TV Globo

Com informações de O Globo.

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