Início Estilo de Vida Sexo Ciúme silencioso: quando a pessoa não fala, mas o comportamento entrega

Ciúme silencioso: quando a pessoa não fala, mas o comportamento entrega

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Especialista explica como olhares, mudanças de comportamento, silêncio e pequenos “jogos” podem revelar um incômodo que não está sendo verbalizado

Nem todo ciúme aparece em uma discussão ou em uma cobrança direta. Em alguns relacionamentos, ele se manifesta de maneira mais silenciosa, por meio de olhares diferentes, respostas mais curtas, afastamento ou mudanças sutis na forma como a pessoa trata o parceiro. Em vez de dizer claramente que alguma situação incomodou, ela pode passar a conversar menos, ficar mais fechada ou demonstrar uma irritação que o outro nem sempre consegue compreender.

“Existem pessoas que têm dificuldade de dizer diretamente o que estão sentindo e acabam comunicando o ciúme pelo comportamento. O olhar muda, a pessoa fica mais fria, responde de forma diferente, se cala ou começa a fazer pequenos jogos para provocar uma reação no parceiro. O problema é que, quando o sentimento não é colocado em palavras, o outro precisa tentar adivinhar o que está acontecendo”, afirma Pai Roberson Dariel, especialista em reconciliação de casais do Instituto Unieb.

Esse comportamento pode aparecer depois de uma situação aparentemente simples, como uma conversa do parceiro com alguém, uma curtida nas redes sociais, uma amizade ou até um comentário feito durante um encontro. A pessoa pode dizer que “não aconteceu nada”, mas passar o restante do dia distante ou mudar completamente a maneira como se comunica. Para quem está do outro lado, fica a sensação de que existe alguma coisa errada, mas sem saber exatamente o quê.

“Às vezes, a pessoa acredita que o parceiro deveria perceber sozinho que ela ficou com ciúmes. Só que relacionamento não funciona por adivinhação. Quando você espera que o outro descubra o que está sentindo, abre espaço para interpretações, inseguranças e até discussões que poderiam ser evitadas com uma conversa”, afirma Roberson Dariel.

Os chamados joguinhos também podem aparecer nesse contexto. Ignorar mensagens de propósito, responder de forma fria, demonstrar interesse em outra pessoa para provocar ciúmes ou mudar o comportamento esperando que o parceiro pergunte o que aconteceu são formas indiretas de comunicação. Embora possam parecer uma maneira de chamar atenção para o incômodo, acabam criando uma dinâmica de disputa dentro da relação.

“Quando o ciúme vira um jogo, ninguém ganha. A pessoa quer ser percebida, mas escolhe uma forma de comportamento que pode gerar ainda mais insegurança no outro. Em vez de aproximar, cria distância. E quanto mais o casal se comunica por indiretas, mais difícil fica entender o que realmente está acontecendo”, explica o especialista.

Falar sobre o que sente é melhor do que cobrar o outro

Uma das formas mais saudáveis de lidar com o ciúme silencioso é transformar o comportamento em conversa. Em vez de esperar que o parceiro perceba a mudança ou fazer cobranças sobre aquilo que ele fez, é possível falar sobre como determinada situação despertou um sentimento. A diferença parece pequena, mas muda completamente a dinâmica do diálogo.

“Em vez de dizer ‘você sempre faz isso’ ou ‘você precisa parar de falar com essa pessoa’, é muito mais produtivo explicar ‘essa situação me deixou inseguro’ ou ‘eu me senti desconfortável quando isso aconteceu’. O outro não consegue simplesmente mudar o que você sente, mas pode compreender o que está por trás daquele sentimento e conversar sobre a situação”, afirma Roberson.

Isso não significa que todo ciúme deve ser tratado como exagero ou insegurança individual. Existem comportamentos dentro de uma relação que realmente podem ultrapassar limites e gerar desconfiança. Por isso, o diálogo também serve para que o casal estabeleça acordos sobre o que considera adequado ou inadequado na convivência, sem transformar esses acordos em regras de controle.

Também é importante observar a frequência e a intensidade desse comportamento. Um incômodo pontual pode ser conversado e elaborado, mas quando o ciúme passa a determinar a rotina, controlar amizades, provocar afastamentos ou gerar conflitos constantes, pode indicar uma dificuldade maior de confiança dentro da relação.

“O ciúme precisa ser escutado, mas não pode comandar o relacionamento. Sentir é uma coisa; transformar esse sentimento em controle, punição ou manipulação é outra. O caminho mais saudável é entender o que despertou aquele incômodo e encontrar uma forma de falar sobre isso sem atacar o parceiro”, pontua Roberson Dariel.

O silêncio nem sempre significa que está tudo bem. Às vezes, ele é justamente a maneira encontrada por alguém que não sabe como dizer que está inseguro, com medo de perder o outro ou incomodado com determinada situação. “Quando existe amor e vontade de preservar a relação, falar sobre o que sentimos é sempre melhor do que criar testes para o outro passar. O parceiro não precisa adivinhar o que está acontecendo. Ele precisa ter a oportunidade de ouvir, entender e construir junto uma solução”, finaliza Roberson.

Sobre o Instituto Unieb

Fundado em 2010, o Instituto Unieb é o primeiro Instituto de Unificação Espírita do Brasil. Sob a orientação do Pai Roberson Dariel, realiza Consultas e Rituais Espirituais personalizados, oferecendo atendimento presencial e online para pessoas que buscam acolhimento, direcionamento e orientação em diferentes áreas da vida.

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