Naturalidade redefine a cirurgia plástica e impulsiona a procura por procedimentos de contorno dos braços

Tendências como quiet beauty e pilates princess refletem uma mudança de comportamento que valoriza resultados discretos e coloca a braquioplastia em evidência
Nos últimos anos, duas tendências passaram a dominar as conversas sobre beleza, especialmente nas redes sociais: quiet beauty e pilates princess. Enquanto a primeira defende uma beleza discreta, sofisticada e pouco marcada por procedimentos aparentes, a segunda associa a estética a um estilo de vida baseado em bem-estar, atividade física e hábitos saudáveis. Embora tenham origens diferentes, ambas compartilham a mesma proposta: substituir uma estética marcada por excessos por uma aparência mais naturalmente harmoniosa.
Esse novo olhar também tem influenciado a forma como as mulheres enxergam a cirurgia plástica. Em vez de buscar transformações radicais, cresce o interesse por procedimentos capazes de corrigir incômodos específicos, preservar a identidade e valorizar as proporções naturais do corpo.
Um dos exemplos é a braquioplastia, cirurgia indicada para tratar a flacidez e o excesso de pele na região dos braços. Dados do Global Survey 2024, da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), mostram que 28.587 braquioplastias foram realizadas no Brasil naquele ano. O procedimento integra um movimento mais amplo de valorização do contorno corporal, sobretudo em regiões que costumam evidenciar os efeitos do envelhecimento, das grandes oscilações de peso ou de características genéticas.
Para o cirurgião plástico Dr. Pedro Westphalen, esse movimento acompanha uma transformação importante na forma como as pacientes enxergam a própria imagem.
“Hoje, poucas mulheres chegam ao consultório querendo transformar completamente o corpo. A maioria procura corrigir pontos específicos que causam desconforto. Existe uma valorização muito maior da naturalidade”, afirma.
Embora a prática regular de exercícios seja fundamental para fortalecer a musculatura, ela nem sempre consegue corrigir a flacidez provocada pela perda de elasticidade da pele. É justamente nessas situações que a braquioplastia pode ser considerada, desde que haja indicação médica e expectativas compatíveis com o resultado que a cirurgia pode oferecer.
Além do envelhecimento natural, fatores como emagrecimento expressivo — inclusive após o uso de medicamentos para perda de peso —, gestação e predisposição genética podem contribuir para o excesso de pele na região dos braços. A indicação do procedimento leva em consideração aspectos como a qualidade da pele, o grau de flacidez, as condições clínicas e os objetivos de cada paciente.
Outro aspecto que acompanha essa mudança de comportamento é a valorização de resultados cada vez mais discretos. A evolução das técnicas cirúrgicas permite um planejamento individualizado, buscando posicionar as cicatrizes em áreas menos aparentes e preservar a harmonia do contorno dos braços.
Segundo Westphalen, embora tendências como quiet beauty e pilates princess expressem uma mudança positiva na valorização da naturalidade, elas não devem ser o principal motivo para a realização de uma cirurgia.
“Tendências passam. A decisão por uma cirurgia deve partir de um desejo genuíno da paciente, baseado em critérios médicos, expectativas realistas e na busca por bem-estar. A cirurgia plástica não deve acompanhar modismos, mas respeitar a individualidade de cada pessoa”, conclui.
Sobre o Dr. Pedro Westphalen
Dr. Pedro Westphalen é cirurgião plástico com formação reconhecida pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e pelo MEC. Atua nas áreas de cirurgia estética e reparadora, com foco em contorno corporal e resultados naturais. Integra o corpo clínico do Hospital Blanc, em Porto Alegre e São Paulo, desenvolvendo um trabalho pautado por planejamento individualizado, segurança técnica e acompanhamento próximo do paciente.