“Uma música pode transmitir sensações que vão muito além do que a gente escuta. Timbre, frequência, ritmo e harmonia conseguem criar associações que o cérebro relaciona até com outros sentidos”, afirma o DJ e produtor musical brasileiro JESTFLY

Uma música não tem açúcar, sal ou acidez, mas determinadas combinações de timbre, frequência, textura e harmonia podem fazer um som parecer mais “doce”, “azedo” ou “amargo”. Uma pesquisa internacional divulgada em agosto de 2026 decidiu testar justamente essa relação entre som e paladar em diferentes culturas.
O estudo reuniu 361 participantes da Argentina, Itália e Japão. Eles escutaram pequenos trechos musicais criados a partir de quatro referências gustativas, doce, azedo, amargo e salgado, e depois avaliaram os sons levando em conta sabor, emoção e temperatura.
Os resultados mostraram que algumas associações atravessaram fronteiras. As músicas percebidas como doces, por exemplo, apresentaram características semelhantes nos três países: eram mais suaves, consonantes e menos ásperas. Já sons mais dissonantes e intensos foram associados com maior frequência a sabores como azedo e amargo.
Para o DJ e produtor musical brasileiro JESTFLY, a pesquisa toca diretamente na maneira como ele pensa a própria música. “Uma música pode transmitir sensações que vão muito além do que a gente escuta. Timbre, frequência, ritmo e harmonia conseguem criar associações que o cérebro relaciona até com outros sentidos”, afirma.
A parte mais curiosa aparece quando os pesquisadores comparam os países. Sons mais ásperos e dissonantes foram associados principalmente ao azedo entre italianos, enquanto argentinos tenderam a classificá-los como amargos. No Japão, as duas interpretações apareceram, com maior presença do azedo. Ou seja, características sonoras semelhantes podem despertar associações diferentes dependendo da cultura de quem escuta.
O salgado foi o sabor mais difícil de traduzir musicalmente. As associações foram mais fracas nos três países, reforçando a ideia de que não existe um “dicionário universal” capaz de transformar automaticamente determinada frequência ou harmonia em um sabor específico.
A pesquisa sugere ainda que parte do vocabulário usado há décadas na produção musical encontra paralelo em associações sensoriais compartilhadas. Sons são frequentemente descritos como “quentes”, “frios”, “escuros”, “brilhantes”, “secos” ou “macios”, embora cultura e experiência continuem influenciando a forma como cada pessoa interpreta essas sensações.
Para JESTFLY, é justamente essa margem de interpretação que torna a pesquisa interessante. “Produzir não é só escolher notas ou acertar frequências. É construir sensação. Se uma música consegue parecer doce, fria ou amarga sem ter sabor algum, isso diz muito sobre a quantidade de coisas que o som pode despertar antes mesmo de a gente conseguir explicar”, conclui.

Créditos: Divulgação | @jestfly.co | CO ASSESSORIA


