Sua empresa está invisível. E você não sabe
Por Felipe Rosa


Há empresas que publicam todos os dias. Estão nas redes sociais, investem em anúncios, criam campanhas, produzem vídeos e mesmo assim, continuam invisíveis. Não porque ninguém as veja, mas porque quase ninguém se lembra delas quando chega a hora de comprar.
É exatamente nesse momento que costumo fazer uma pergunta aos empresários: Quando alguém pensa no produto ou serviço que sua empresa oferece, sua marca é uma das primeiras que vem à cabeça? Se a resposta exigir alguns segundos de silêncio, talvez exista um problema maior do que a concorrência ou o orçamento de marketing. A empresa não precisa aparecer mais, ela precisa ser lembrada.
Vivemos uma época em que conquistar atenção nunca foi tão fácil e permanecer na memória das pessoas nunca foi tão difícil. Todos os dias somos expostos a centenas de mensagens, anúncios e conteúdos. Nesse excesso de informação, visibilidade deixou de significar presença. Passou a significar lembrança.
Os números ajudam a entender esse desafio. O estudo Brand Footprint Brasil 2025, da Kantar, mostra que apenas 167 marcas conseguiram ampliar sua presença nos lares brasileiros em 2024, um retrato de como conquistar espaço na rotina das pessoas se tornou cada vez mais difícil em um mercado saturado de estímulos (KANTAR. Brand Footprint Brasil 2025. São Paulo: Kantar, 2025).
Na prática, isso muda completamente a forma de pensar marketing. Muitas empresas acreditam que o problema está na frequência das publicações e na minha experiência digo que quase nunca está. O problema costuma ser outro. Elas comunicam muito, mas constroem pouca lembrança.
Uma marca forte não é aquela que aparece todos os dias. É aquela que ocupa um espaço na memória das pessoas. Quando chega o momento da decisão, é essa lembrança que pesa muito mais do que a quantidade de publicações feitas ao longo do mês.
Existe uma diferença importante entre comunicar e construir memória. Empresas memoráveis mantêm uma identidade reconhecível, repetem mensagens consistentes e fazem escolhas que reforçam quem elas são. As invisíveis mudam o discurso a cada tendência, copiam a comunicação dos concorrentes e acreditam que novidade permanente é sinônimo de relevância.
Essa percepção não nasce apenas da prática. Byron Sharp, uma das principais referências mundiais em crescimento de marcas, demonstra que empresas crescem quando fortalecem sua disponibilidade mental, ou seja, quando conseguem ser facilmente lembradas nas situações de compra. Mais do que convencer consumidores, o desafio é estar presente na memória deles quando a necessidade aparece (SHARP, Byron. How Brands Grow. 2. ed. Melbourne: Oxford University Press, 2017).
Marcas não se tornam relevantes no instante em que são vistas. Tornam-se relevantes quando passam a ser lembradas sem esforço. É essa lembrança, construída com consistência ao longo do tempo, que transforma visibilidade em preferência.
Felipe Rosa é gerente de marketing, especialista em comunicação visual e posicionamento de marcas. Formado em Relações Públicas, atua há mais de sete anos desenvolvendo estratégias de conteúdo, direção criativa e produção audiovisual para empresas de diferentes segmentos. Ao longo da carreira, participou de projetos para marcas como Grow Jogos e Brinquedos, Ford, Total Luxo e Dona Maria do Bolo, onde contribuiu para a estruturação da comunicação digital e do crescimento da presença da marca. Sua atuação é voltada à construção de narrativas capazes de fortalecer a identidade das empresas e gerar conexão com o público.

