Início Brasil Para o empreendedor de alta performance, networking não é acaso. É estratégia

Para o empreendedor de alta performance, networking não é acaso. É estratégia

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Felipe Maffezzolli, fundador da HubXP, defende que relacionamento intencional, construído em quadras, pistas de esqui e eventos exclusivos, é o ativo mais subestimado do mundo dos negócios

Judô, jiu-jitsu, tênis, viagens estratégicas e eventos ultra-exclusivos. A agenda de Felipe Maffezzolli, 32 anos, empreendedor serial e fundador da HubXP e da Élégant, pode parecer a de alguém que simplesmente gosta de uma vida ativa. Mas há um fio condutor deliberado em cada uma dessas escolhas: a construção de relações que movem negócios.

A percepção de Maffezzolli está alinhada ao que os dados mostram. O relatório GEM Brasil 2024, produzido pelo Sebrae e pela FGV, aponta que 61,5% dos empreendedores consideram redes de relacionamento e parcerias determinantes para o crescimento dos negócios, e 56% afirmam que a troca com outros empresários estimula a inovação. Ainda assim, a maioria das estratégias de networking continua presa ao modelo tradicional de eventos formais com crachás e rodadas de apresentação. Para Maffezzolli, esse modelo desperdiça o que o relacionamento tem de mais valioso: o contexto. 

“Você vai numa academia como a Aliança aqui em São Paulo e encontra os diretores e donos dos maiores fundos da Faria Lima treinando de manhã. No tênis é a mesma coisa. No golfe é a mesma coisa. Networking acontece onde as pessoas de alto nível estão, e essas pessoas costumam estar em movimento”, afirma.

O esporte, na visão do empreendedor, não é apenas porta de entrada para círculos relevantes. É também escola de comportamento para quem lidera. Um estudo da Deloitte aponta que 85% dos líderes que praticam esportes afirmam que as habilidades desenvolvidas na prática esportiva foram importantes para o sucesso na carreira. Para Maffezzolli, disciplina, consistência e autoestima construídas na academia se traduzem diretamente na forma como um líder se apresenta e inspira sua equipe. “No fim do dia, as pessoas seguem pessoas. Menos pelo que você fala, mais pelo que você mostra. Um líder com energia baixa não inspira ninguém.” 

As viagens ocupam o mesmo papel estratégico. Nos últimos meses, Maffezzolli esteve na Suíça a convite do cônsul do país para visitar a manufacture da Audemars Piguet e o Julius Baer, um dos maiores bancos privados do mundo. Antes disso, participou de uma visita à fábrica da Audi na Alemanha. No início do ano, foi ao Vale do Silício para apresentar o case do aplicativo da Virgínia Fonseca, o mais baixado da App Store brasileira em 2024 e desenvolvido pela HubXP. Da mesma viagem, saiu direto para uma pista de esqui na Califórnia com os mesmos parceiros de negócios. “Uma feira de tecnologia seguida de três horas de carro até uma pista de esqui com as mesmas pessoas cria uma proximidade que nenhuma reunião de negócios consegue replicar”, diz.

Essa filosofia está também na origem da Élégant, empresa que Maffezzolli fundou para criar eventos ultra-exclusivos, de 20 a 25 convidados, reunindo marcas como Porsche, Gucci, Moncler, Tag Heuer e Macallan em torno de experiências cuidadosamente construídas. O modelo não é de evento corporativo tradicional, é de criação de contexto para que relações relevantes aconteçam de forma natural. “A gente não chama de evento porque são 25 pessoas escolhidas a dedo. Cada marca convida seus três ou quatro melhores clientes. O que acontece ali não é uma apresentação de produto, é uma construção de vínculo.”

Só nos primeiros quatro meses de 2026, o Brasil registrou a abertura de mais de 2 milhões de pequenos negócios, crescimento de quase 14% em relação ao mesmo período de 2025, segundo o Sebrae. Em um mercado cada vez mais competitivo e com mais players disputando os mesmos clientes e parceiros, a diferença entre quem cresce e quem estagna raramente está no produto. Está em quem você conhece e em como essas relações foram construídas. 

Para Maffezzolli, o Brasil, com toda a sua complexidade tributária, burocrática e estrutural, é exatamente o ambiente onde o networking se torna mais decisivo. “O empreendedor é, na essência, um resolvedor de problemas. E o Brasil tem problemas em abundância. Mas resolver esses problemas fica muito mais viável quando você tem ao redor pessoas que confiam em você e nas quais você confia. Networking não é relacionamento pelo relacionamento. É a base de execução de qualquer projeto relevante.” 

Para o empreendedor, o ponto central é que networking não é resultado colateral de uma vida ativa. É uma escolha. “Estar no lugar certo, na época certa, com as pessoas certas, não acontece por acidente. Você decide onde vai treinar, para qual feira vai, em qual evento coloca energia. Essas decisões definem com quem você vai construir o futuro da sua empresa”, conclui.

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