segunda-feira, junho 15, 2026

Últimas Notícias

Flacidez, excesso de pele e perda de volume mamário: o que acontece com o corpo após grandes perdas de peso

Com o avanço das canetas emagrecedoras, cada vez mais mulheres estão emagrecendo de forma significativa. Mas a transformação traz novos desafios físicos e emocionais, que vão da flacidez às mudanças na relação com o próprio corpo.

Nos últimos anos, medicamentos com os princípios ativos da semaglutida, tirzepartida e outros deixaram de ser conhecidos apenas nos consultórios médicos e passaram a fazer parte das conversas do dia a dia. O resultado foi uma transformação visível: milhares de pessoas conseguiram perder peso de forma significativa, muitas delas após anos de tentativas frustradas.

Mas, para parte dessas pacientes, a comemoração na balança veio acompanhada de uma nova preocupação.

Flacidez no rosto, nos braços e no abdômen, perda de volume das mamas e excesso de pele passaram a fazer parte da realidade de mulheres que conseguiram emagrecer, mas que não se reconhecem completamente no novo corpo.

O fenômeno já tem até nome em alguns mercados internacionais: “Ozempic Body”, uma referência às mudanças corporais observadas após perdas de peso mais expressivas. Embora o termo seja controverso, especialistas concordam que o emagrecimento acelerado pode gerar transformações importantes no contorno corporal.

Segundo a Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica Estética (ISAPS), os procedimentos de contorno corporal seguem entre os que mais crescem no mundo, impulsionados justamente pelo aumento da perda de peso significativa, seja por cirurgia bariátrica ou pelo uso dos novos medicamentos para obesidade.

O contexto ajuda a explicar a dimensão do fenômeno. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 1 bilhão de pessoas vivem com obesidade no mundo. Ao mesmo tempo, medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida vêm ampliando o acesso ao tratamento da doença e mudando a relação de milhões de pessoas com a balança.

Para a cirurgiã plástica Pamela Massuia, esse movimento já é percebido claramente nos consultórios.

“Muitas pacientes chegam felizes pelo emagrecimento porque conquistaram algo que buscavam há anos. Mas, depois da perda de peso, começam a perceber excesso de pele, flacidez e mudanças na proporção corporal que afetam a autoestima e até o conforto no dia a dia.”

O corpo muda mais rápido do que a pele consegue acompanhar

Quando o emagrecimento acontece de forma significativa, especialmente em poucos meses, a pele nem sempre consegue acompanhar a nova estrutura corporal.

O resultado pode aparecer em diferentes regiões:

  • papada mais evidente
  • flacidez nos braços
  • excesso de pele abdominal
  • perda de sustentação das mamas
  • queda dos glúteos
  • alterações no contorno facial

“A gordura diminui, mas a pele que estava acomodando aquele volume nem sempre retorna completamente. Isso depende de fatores como idade, genética, qualidade da pele e velocidade do emagrecimento”, explica Pamela.

Segundo a médica, mulheres acima dos 35 anos costumam perceber essas mudanças com mais intensidade devido à redução natural da produção de colágeno, processo que se acelera com o passar do tempo.

O emagrecimento foi apenas o primeiro passo

A empresária Mariana S., 42 anos (nome fictício), perdeu 28 quilos em pouco mais de um ano após iniciar tratamento para obesidade. O resultado trouxe ganhos importantes para a saúde, mas também revelou um problema que ela não esperava.

“Eu estava feliz com a perda de peso, mas comecei a me incomodar com a flacidez, principalmente na região abdominal. As roupas ficaram largas, mas eu ainda não me sentia confortável com meu corpo.”

Após avaliação médica, Mariana optou por tratar a região abdominal. A melhora no resultado foi tão significativa que, meses depois, decidiu tratar também os flancos.

“Foi como finalizar uma etapa. Eu já tinha feito todo o esforço para emagrecer e sentia que meu corpo ainda não refletia completamente essa conquista.”

História semelhante viveu a administradora Patrícia M., 38 anos (nome fictício), que eliminou mais de 20 quilos e passou a se incomodar com a flacidez nos braços e na região abaixo do queixo.

“Quando a gente emagrece, imagina que todos os problemas vão desaparecer. Mas comecei a perceber que a papada ficou mais evidente e os braços me incomodavam muito nas fotos.”

Segundo ela, a possibilidade de realizar um procedimento menos invasivo, com recuperação rápida e sem necessidade de internação, foi decisiva para buscar tratamento.

“Eu não queria uma cirurgia grande. Queria apenas corrigir pontos específicos que estavam me incomodando.”

Nem toda paciente precisa de uma cirurgia extensa

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, nem sempre a solução passa por procedimentos de grande porte.

Segundo Pamela Massuia, existe um crescimento importante na procura por tratamentos localizados e menos invasivos para regiões que costumam incomodar mais após o emagrecimento.

É o caso da papada, dos braços, dos flancos e de pequenos acúmulos de gordura localizada que podem permanecer mesmo após a perda de peso.

“Hoje existem protocolos que permitem tratar áreas específicas com muito mais conforto para a paciente. Em casos selecionados, conseguimos realizar mini lipoaspirações em consultório, com anestesia local, paciente acordada e recuperação bastante rápida.”

A médica explica que esses procedimentos são indicados para pequenos volumes de gordura e não substituem cirurgias maiores quando existe excesso importante de pele.

Entre os recursos utilizados estão tecnologias associadas à retração da pele e remodelação do contorno corporal, como radiofrequência e plataformas que estimulam a produção de colágeno durante o procedimento.

“Nem toda paciente precisa de uma cirurgia grande. Muitas vezes conseguimos promover uma melhora importante em áreas específicas, preservando a rotina e reduzindo o tempo de recuperação.”

A nova relação com a autoestima

Especialistas observam que o impacto do emagrecimento vai além da estética.

Muitas mulheres relatam uma espécie de desencontro entre a imagem que esperavam encontrar e o reflexo que veem no espelho após a perda de peso.

Uma pesquisa da Obesity Action Coalition mostrou que a satisfação corporal nem sempre acompanha a perda de peso, especialmente quando há excesso de pele ou alterações significativas no contorno corporal.

“Existe uma expectativa de que o emagrecimento resolva todas as questões relacionadas à imagem corporal. Mas o processo é mais complexo. Muitas vezes a paciente precisa passar por uma adaptação emocional e física para se reconhecer novamente”, afirma Pamela.

Uma nova paciente chega aos consultórios

Com a popularização dos medicamentos para obesidade, especialistas acreditam que os próximos anos serão marcados por um aumento na procura por procedimentos voltados ao refinamento do contorno corporal.

Mais do que buscar um padrão estético, a tendência reflete uma tentativa de alinhar o resultado do emagrecimento com a forma como a pessoa deseja se sentir.

Pamela observa que existe uma mudança clara no perfil das pacientes.

“Estamos vendo surgir uma nova paciente. Ela chega mais saudável, mais consciente e com objetivos diferentes. Não busca transformação radical. Busca harmonia entre o resultado do emagrecimento e a imagem que vê no espelho.”

Para a especialista, o objetivo não é recuperar o corpo de uma fase anterior da vida, mas ajudar a paciente a aproveitar plenamente uma conquista que muitas vezes exigiu anos de esforço.

“O emagrecimento é uma vitória importante. Quando existe indicação, os procedimentos complementares ajudam a paciente a recuperar conforto, proporção corporal e autoestima. É uma etapa que, para muitas mulheres, representa o fechamento de um ciclo de transformação.”

Latest Posts

MAIS VISTAS