Durante muito tempo, a vacinação foi associada principalmente à prevenção de doenças infecciosas. Hoje, no entanto, ela também ocupa um espaço cada vez mais importante na cardiologia. Estudos recentes demonstram que algumas vacinas são capazes de reduzir o risco de complicações cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e descompensações em pacientes com doenças cardíacas.

O tema tem ganhado destaque nas principais diretrizes internacionais. A atualização mais recente do American College of Cardiology (ACC), publicada em 2025, e recomendações da Sociedade Europeia de Cardiologia (ESC) reforçam a imunização como uma estratégia complementar de prevenção cardiovascular.
Segundo o cardiologista Dr. Adriano Magajevski, membro da Sociedade Paranaense de Cardiologia (SPC), a relação entre infecções e eventos cardiovasculares está cada vez mais bem estabelecida pela ciência:
“Hoje sabemos que processos infecciosos podem desencadear eventos cardiovasculares agudos em pacientes suscetíveis. Por isso, algumas vacinas passaram a ser recomendadas não apenas para prevenir infecções, mas também para reduzir o risco de descompensações cardíacas”, explica.
A inflamação provocada por vírus e bactérias aumenta o estresse sobre o organismo e pode favorecer a ruptura de placas de gordura nas artérias, elevar a formação de trombos e precipitar infartos e AVCs, principalmente em pessoas que já possuem fatores de risco ou doenças cardiovasculares.
Cinco vacinas ganham destaque
Com base nas evidências mais recentes, os especialistas recomendam atenção especial para cinco imunizantes em pacientes adultos, sobretudo idosos e cardiopatas:
- Influenza (gripe);
- Pneumocócica;
- Herpes-zóster;
- Vírus Sincicial Respiratório (VSR);
- COVID-19.
Entre elas, a vacina contra a gripe possui um dos conjuntos mais robustos de evidências científicas.
“O benefício da vacinação contra influenza é impressionante. Existem estudos prospectivos e randomizados mostrando redução importante de eventos cardiovasculares. Em pacientes que sofreram infarto agudo do miocárdio, por exemplo, o número necessário para tratar (NNT) é de apenas 23, um resultado extremamente relevante na medicina baseada em evidências”, destaca Magajevski.
Na prática, isso significa que vacinar 23 pacientes após um infarto é suficiente para evitar um novo evento grave em um deles, um resultado comparável ao obtido por diversas terapias consagradas da cardiologia.