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Avós, pais e filhos sob o mesmo teto: tendência transforma o mercado imobiliário nos EUA

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Cerca de 4 milhões de residências norte-americanas já abrigam três ou mais gerações da mesma família; especialista Adriana Moura avalia impactos da mudança nos hábitos de moradia

Uma tendência que vem ganhando força nos Estados Unidos está mudando a forma como famílias escolhem seus imóveis e como construtoras desenvolvem novos projetos residenciais. Trata-se da moradia multigeracional, modelo em que avós, pais e filhos compartilham a mesma residência, mas com espaços planejados para atender às necessidades de cada geração.

Dados da Realtor.com apontam que cerca de 4 milhões de residências ocupadas por proprietários nos Estados Unidos já são classificadas como multigeracionais, representando aproximadamente 4,5% de todos os imóveis próprios do país. O crescimento é impulsionado por fatores econômicos, pelo envelhecimento da população e pela busca por maior convivência familiar.

A tendência também se reflete no comportamento dos compradores. Segundo levantamento da National Association of Realtors (NAR), 17% das aquisições de imóveis realizadas recentemente nos Estados Unidos tiveram como objetivo acomodar múltiplas gerações da mesma família, o maior índice já registrado pela entidade.

Para a personal organizer Adriana Moura, o fenômeno representa uma transformação significativa na forma de morar.

“Durante muito tempo, a independência residencial foi vista como um objetivo natural das famílias. Hoje, estamos observando um movimento diferente. As pessoas estão redescobrindo as vantagens de viver próximas, compartilhando responsabilidades, cuidados e experiências do dia a dia.”

Segundo ela, o crescimento das moradias multigeracionais tem impacto direto na forma como os imóveis são projetados e organizados.

“Quando três gerações dividem o mesmo espaço, é necessário pensar a casa de maneira muito mais estratégica. Os ambientes precisam oferecer privacidade, conforto e funcionalidade para todos os moradores. Não basta apenas ter mais quartos. É preciso criar uma dinâmica que permita uma convivência harmoniosa.”

Adriana explica que a organização dos ambientes se torna um elemento essencial nesse contexto.

“Em uma casa multigeracional, cada objeto precisa ter seu lugar e cada ambiente precisa cumprir bem sua função. A organização deixa de ser um detalhe e passa a ser uma ferramenta importante para evitar conflitos, otimizar espaços e melhorar a qualidade de vida da família.”

A especialista observa que muitos empreendimentos norte-americanos já estão incorporando características específicas para atender esse perfil de comprador, incluindo suítes independentes, entradas privativas, cozinhas auxiliares e espaços adaptados para idosos.

“Os construtores perceberam que existe uma demanda crescente por imóveis capazes de acomodar diferentes fases da vida dentro da mesma residência. Estamos vendo projetos cada vez mais flexíveis, preparados para receber crianças, adultos e idosos ao mesmo tempo.”

Outro dado que chama atenção é que os imóveis multigeracionais despertam, em média, 13,5% mais interesse dos compradores do que residências convencionais. Para Adriana, isso demonstra que a funcionalidade passou a ter peso relevante na decisão de compra.

“Hoje as pessoas não analisam apenas a localização ou a metragem do imóvel. Elas querem entender como aquele espaço vai funcionar na prática. Um imóvel que consegue acomodar diferentes necessidades familiares acaba se tornando mais atrativo e valorizado.”

A personal organizer acredita que a tendência observada nos Estados Unidos pode influenciar outros mercados nos próximos anos.

“Historicamente, muitas mudanças de comportamento relacionadas à moradia surgem primeiro nos Estados Unidos e depois chegam a outros países. A busca por imóveis mais adaptáveis, versáteis e preparados para diferentes gerações deve crescer também em diversos mercados internacionais.”

Segundo Adriana, a valorização da convivência familiar é um dos fatores que ajudam a explicar o avanço desse modelo.

“Existe uma percepção cada vez maior de que morar próximo da família traz benefícios emocionais, financeiros e até mesmo logísticos. Os avós ajudam com os netos, os filhos apoiam os pais mais idosos e todos compartilham recursos. É uma estrutura que fortalece os vínculos familiares.”

Ela destaca ainda que o conceito está diretamente ligado às novas demandas de organização residencial.

“Quanto maior a diversidade de perfis dentro da mesma casa, maior a necessidade de planejamento dos ambientes. A organização permite que cada geração tenha autonomia, conforto e praticidade sem abrir mão da convivência.”

Para Adriana Moura, o crescimento das moradias multigeracionais mostra que o mercado imobiliário está deixando de olhar apenas para a construção de imóveis e passando a compreender melhor o estilo de vida das famílias.

“As pessoas estão buscando casas que acompanhem suas necessidades ao longo do tempo. O imóvel deixa de ser apenas um patrimônio e passa a ser um espaço capaz de promover bem-estar, acolhimento e qualidade de vida para diferentes gerações”, finaliza.

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