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Abrir lojas é só parte do processo: o que sustenta o crescimento de uma rede de franquias?

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Especialista aponta que logística, padronização, suporte ao franqueado e capacidade operacional são fatores decisivos para uma expansão sustentável
Quando uma rede de franquias anuncia novas unidades, o crescimento costuma ser medido pelo número de inaugurações. Mas, nos bastidores, a expansão exige uma estrutura muito mais complexa do que a simples abertura de pontos de venda. Logística, capacidade produtiva, padronização de processos, treinamento e suporte ao franqueado são alguns dos fatores que determinam se uma rede conseguirá crescer de forma sustentável ou enfrentará dificuldades para manter a qualidade da operação.

O tema tem ganhado relevância à medida que o franchising brasileiro amplia sua presença em diferentes regiões do país. Em um cenário de expansão, um dos principais desafios das marcas é garantir que o consumidor tenha a mesma experiência independentemente da cidade ou estado onde a unidade está localizada.

No setor de alimentação, a questão se torna ainda mais sensível. O aumento da demanda exige planejamento operacional, controle de qualidade e capacidade de abastecimento para evitar que o crescimento comprometa a experiência entregue ao cliente final.

É nesse contexto que muitas redes têm investido no fortalecimento de suas estruturas internas antes mesmo de acelerar a abertura de novas unidades. A Açaí no Kilo, por exemplo, vem ampliando sua operação ao mesmo tempo em que reforça áreas consideradas estratégicas para sustentar o crescimento da rede.

Atualmente com 59 unidades em operação, a empresa aposta em uma estrutura que combina produção própria, logística própria, processos padronizados e acompanhamento contínuo dos franqueados. Como parte desse movimento, a rede também trabalha na ampliação da fábrica localizada em Feira de Santana (BA), responsável por atender a crescente demanda das operações.

Segundo Elizângela Siqueira, fundadora da Açaí no Kilo, o crescimento de uma rede precisa ser acompanhado por investimentos capazes de sustentar a expansão no longo prazo.

“Existe uma tendência de associar crescimento apenas à abertura de novas lojas, mas a expansão começa muito antes disso. É preciso garantir que existam processos, estrutura produtiva, logística e suporte suficientes para atender a rede como um todo. Crescer sem esse planejamento pode comprometer a operação e a experiência do consumidor”, afirma.

Outro ponto apontado por especialistas do setor é a importância do suporte aos franqueados. Em um mercado cada vez mais competitivo, a transferência de conhecimento e o acompanhamento da operação tornaram-se diferenciais importantes para a manutenção dos padrões da marca.

Na avaliação de Elizângela, o fortalecimento da rede depende de uma relação próxima entre franqueadora e franqueados.

“Nosso foco está em construir uma operação consistente. Isso passa por treinamento das equipes, acompanhamento dos parceiros, padronização dos processos e melhoria contínua da estrutura. A expansão é consequência desse trabalho e não o contrário”, destaca.

A discussão acompanha uma mudança observada no próprio mercado de franquias. Se em outros momentos o crescimento era medido prioritariamente pelo volume de unidades abertas, hoje a capacidade de sustentar a operação e manter a qualidade da experiência entregue ao consumidor passou a ocupar papel central na estratégia das marcas.
Nesse cenário, o desafio das redes não é apenas crescer, mas criar condições para que a expansão aconteça de forma equilibrada, acompanhada por investimentos em estrutura, eficiência operacional e suporte aos parceiros. Para empresas que atuam em escala nacional, a solidez desses pilares tem se mostrado tão importante quanto o ritmo de abertura de novas unidades.

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