Especialista alerta que mudanças bruscas na rotina de sono prejudicam atenção, memória e aprendizado — e explica como fazer a transição de forma saudável

Com o fim das férias escolares, um desafio silencioso costuma reaparecer na rotina das famílias: reajustar o sono das crianças e adolescentes. Horários mais flexíveis para dormir e acordar, comuns durante o recesso, entram em choque com a necessidade de despertar cedo para a escola — e o impacto dessa mudança vai muito além do cansaço matinal.
Segundo o otorrinolaringologista Dr. Lucas Padial, especialista em distúrbios do sono do Hospital Paulista, um dos principais erros cometidos pelos pais é deixar para corrigir os horários apenas quando as aulas já começaram. “O ideal é que essa adaptação seja iniciada pelo menos uma semana antes do retorno escolar. O organismo precisa de tempo para se reorganizar”, explica.
A privação ou a má qualidade do sono afeta diretamente funções essenciais para o aprendizado, como atenção, memória e capacidade de concentração. “Infelizmente, em praticamente todas as faixas etárias, estamos muito distantes das horas de sono recomendadas”, alerta o médico.
Quantas horas de sono as crianças realmente precisam?
A necessidade de sono varia conforme a idade, mas é um fator determinante para o bem-estar físico e cognitivo. De acordo com o especialista, as médias indicadas são:
- 1 a 2 anos: 11 a 14 horas
- 3 a 5 anos: 10 a 13 horas
- 6 a 13 anos: 9 a 11 horas
- 14 a 17 anos: 8 a 10 horas
“Dormir menos do que o necessário compromete o funcionamento do cérebro e pode se refletir em irritabilidade, dificuldade de aprendizado e queda no rendimento escolar”, afirma Dr. Padial.
Ajuste gradual é a melhor estratégia
Para o especialista, a transição deve ser feita de forma progressiva — especialmente entre os adolescentes. “Eles tendem a ser naturalmente mais vespertinos, ou seja, sentem sono mais tarde e acordam mais tarde. Durante as férias, isso fica mais evidente porque conseguem seguir o próprio ritmo biológico”, explica.
O problema surge quando as aulas recomeçam muito cedo. “Não adianta tentar resolver isso de um dia para o outro. O ideal é antecipar gradualmente o horário de dormir e de acordar, criando uma rotina previsível”, orienta.
Entre as medidas mais eficazes estão a redução da exposição à luz intensa no período noturno e o estabelecimento de horários regulares, inclusive nos fins de semana que antecedem a volta às aulas.
Telas: vilãs do sono infantil
O uso de celulares, tablets, videogames e televisões à noite é outro fator que dificulta o início do sono. Segundo Dr. Padial, as telas interferem de duas formas principais.
“A luz azul emitida por esses dispositivos inibe a liberação da melatonina, hormônio fundamental para sinalizar ao organismo que é hora de dormir”, explica. Além disso, o conteúdo das telas — como jogos, vídeos curtos e séries — estimula a liberação de neurotransmissores ligados à recompensa e à excitação, o oposto do que o corpo precisa para relaxar.
“O resultado é um sono mais tardio, fragmentado e de pior qualidade, o que impacta diretamente o desempenho escolar no dia seguinte”, ressalta.
Quando é hora de procurar um médico?
Alguns sinais merecem atenção especial dos pais. Ronco frequente, respiração pela boca durante o sono, dificuldade de concentração, alterações de comportamento e sonolência excessiva (ou, em muitos casos, hiperatividade) podem indicar distúrbios do sono.
“É importante reforçar que roncar não é normal em nenhuma idade, muito menos na infância”, alerta o especialista. A apneia obstrutiva do sono, por exemplo, é uma condição que pode trazer prejuízos importantes ao desenvolvimento se não for diagnosticada e tratada.
“Em crianças e adolescentes, a apneia nem sempre se manifesta como sonolência. Muitas vezes, o quadro se apresenta como hiperatividade, o que pode levar a diagnósticos equivocados, como o de TDAH”, explica Dr. Padial.
Sono em dia, aprendizado em dia
Para o médico, cuidar do sono deve ser encarado como parte essencial da preparação para o ano letivo. “Assim como comprar material escolar e organizar horários de estudo, ajustar a rotina de sono é um investimento direto na saúde, no aprendizado e no bem-estar das crianças”, conclui.
Sobre o Hospital Paulista de Otorrinolaringologia
Fundado em 1974, o Hospital Paulista de Otorrinolaringologia possui cinco décadas de tradição no atendimento especializado em ouvido, nariz e garganta e durante sua trajetória, ampliou sua competência para outros segmentos, com destaque para Fonoaudiologia, Alergia Respiratória e Imunologia, Distúrbios do Sono, procedimentos para Cirurgia Cérvico-Facial, bem como Buco Maxilo Facial. Referência em seu segmento e com alta resolutividade, conta com um completo Centro de Medicina Diagnóstica em Otorrinolaringologia. Dispõe de profissionais de alta capacidade oferecendo excelentes condições de suporte especializado 24 horas por dia.

