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Violino para adultos: veja como estudar 15 minutos por dia

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Cronograma divide a prática entre técnica, exercícios, repertório e autoavaliação

Aprender violino depois de adulto pode parecer difícil para quem tem a rotina cheia. Trabalho, estudos, casa, família e cansaço fazem muita gente deixar o instrumento de lado antes mesmo de perceber a evolução, especialmente para quem está no início da jornada. Mas a falta de tempo nem sempre é o principal obstáculo.

Segundo o violinista Arthur Lauton, criador do canal Como Tocar Violino (@ComoTocarViolino no YouTube), 15 minutos por dia podem ser suficientes para o estudo, desde que exista organização antes de pegar o violino.

“O maior erro de quem só tem 15 minutos não é estudar pouco. É gastar metade desse tempo decidindo o que vai estudar”, afirma.

A proposta do violinista é transformar esse tempo curto em uma prática mais objetiva. Para isso, o estudo precisa ter foco definido, divisão simples e continuidade ao longo da semana.

Como dividir os 15 minutos

Arthur sugere separar o tempo em duas partes. A maior parte da prática deve ser usada para aprender algo novo. O restante serve para revisar o que já foi estudado.

Em uma rotina de 15 minutos, isso significa cerca de 12 minutos para o foco principal do dia e 3 minutos para manutenção. Essa revisão pode incluir cordas soltas, posição dos dedos, arco, escala ou algum exercício já conhecido.

“Esses 3 minutos impedem aquela sensação de voltar tudo do zero quando você pega o violino de novo”, explica.

Segundo o músico, o estudo também deve passar por três pilares: técnica, aplicação e repertório. A técnica envolve arco, mão esquerda, afinação e leitura. A aplicação aparece nos exercícios. O repertório é a música em si.

O erro, segundo Arthur, é tentar misturar tudo sem critério. “O repertório não vem do nada. Ele precisa ser pensado a partir da técnica e dos exercícios que você trabalhou antes”, diz.

Veja um cronograma semanal de 15 minutos por dia

Segunda-feira: técnica

O primeiro dia pode ser reservado para a base. A sugestão é trabalhar cordas soltas, arco lento, controle do movimento, afinação dos dedos e escalas.

Nesse dia, não é necessário tocar uma música. O objetivo é organizar a estrutura para o restante da semana.

Terça-feira: exercícios

Na terça, entram 3 minutos de revisão da técnica feita no dia anterior e 12 minutos para exercícios novos.

O aluno pode trabalhar mudanças entre cordas, padrões rítmicos, velocidade do arco ou sequências de dedos. O foco não deve ser tocar rápido, mas entender o movimento.

Quarta-feira: repetição com ajuste

A quarta-feira é o dia de voltar ao que ainda não saiu bem. Em vez de buscar uma novidade, o aluno deve retomar os exercícios da segunda e da terça.

A ideia é melhorar ritmo, afinação, controle do arco e tensão dos dedos.

Quinta-feira: repertório em partes pequenas

Na quinta, a música entra no estudo. Mas Arthur orienta evitar tocar a peça inteira várias vezes do começo ao fim.

A recomendação é dividir a música em frases curtas. O aluno escolhe um trecho, repete com atenção e observa ritmo, afinação e movimento do arco.

“Se você toca sempre do começo, fica bom só no começo. O resto vai no automático”, afirma.

Sexta-feira: continuidade do repertório

A sexta serve para avançar na música. Depois dos 3 minutos de aquecimento, o aluno pode trabalhar a próxima frase ou revisar o trecho do dia anterior.

O objetivo é deixar os dedos mais seguros, manter o ritmo e evitar pressa.

Sábado: musicalidade

No sábado, o foco passa a ser o som. É o dia de juntar técnica, leitura e repertório, com atenção à dinâmica, à expressão e à forma como a música soa.

Para Arthur, não basta acertar nota e ritmo de forma mecânica. O aluno precisa começar a transformar o exercício em música.

Domingo: gravação e autoavaliação

O domingo pode ser usado para gravar um exercício técnico e um trecho da música estudada durante a semana.

O vídeo não precisa ser publicado. Ele serve para que o aluno se veja de fora, perceba o que melhorou e identifique o que precisa reforçar na semana seguinte.

“Quando você está tocando, pensa em muita coisa ao mesmo tempo: arco, afinação, ritmo, frase musical. Quando assiste à gravação, consegue observar melhor os detalhes”, explica.

Pouco tempo também precisa de método

Para Arthur, 15 minutos não fazem milagre, mas criam continuidade. E continuidade é uma das partes mais importantes para quem tenta aprender violino depois de adulto.

“Quem estuda pouco todo dia passa aquela pessoa que estuda muito só quando dá”, afirma.

A recomendação para quem está no início é definir o foco do dia antes de ligar o cronômetro.

Quem é Arthur Lauton?

Formado pelas universidades USP e UFBA, estudou com mestres como Claudio Cruz, Elina Suris e outros nomes da elite da música clássica nacional e internacional. Já tocou nas maiores orquestras do Brasil, incluindo a OSBA, onde ele estava no ano em que foi eleita a melhor orquestra do país em 2023. 

Na música popular já dividiu o palco com Caetano, Gil, Chitãozinho & Xororó, BaianaSystem, Sérgio Reis, Saulo, entre outros gigantes da música brasileira.

Levou seu violino para 9 estados brasileiros e países como China, EUA e Chile. É criador do canal Como Tocar Violino, que se aproxima dos 250 mil inscritos e já soma 14 milhões de visualizações. Hoje ajuda milhares de pessoas a aprender violino do zero com leveza, didática prática e orientação profissional.

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