A iniciativa fortalece a comunicação, amplia o repertório cultural e impacta positivamente o desenvolvimento das crianças

O CEI Espaço Kairós, unidade localizada no Bom Retiro e pertencente à DRE Ipiranga, tem transformado o cotidiano de educadoras e crianças ao integrar o ensino de espanhol com a valorização das culturas migrantes. Mais do que um projeto de idioma, a iniciativa Los Niños nasceu com o objetivo de fortalecer a comunicação e promover o reconhecimento da diversidade cultural presente na comunidade escolar.
Atualmente, a unidade atende 139 crianças no total. Desse total, 17 crianças são migrantes, sendo 10 da Bolívia, 3 de Angola, 3 de Marrocos e 1 da Venezuela. Outras 42 são filhas de migrantes, com destaque para a Bolívia (21), seguida por Paraguai (8), Angola (5), Venezuela (3), Peru (2), além de Marrocos, África do Sul e Tunísia, com 1 criança cada. As demais 81 crianças são brasileiras, compondo um cenário educativo marcado pela pluralidade de origens e experiências culturais.
A ideia surgiu a partir da escuta e da experiência de uma educadora filha de bolivianos, que compartilhou os desafios vividos durante sua trajetória como aluna na rede pública. “Eu cresci na Bolívia e vivi muito dessa cultura. Sei o quanto as famílias enfrentam dificuldades, principalmente com a língua. Tenho muito a compartilhar, tanto da cultura quanto das experiências”, relata a educadora Nadia Cleyde Ramos Moya, idealizadora do projeto Los Niños.
A proposta ganhou força e passou a integrar diferentes dimensões da rotina escolar, como formações pedagógicas, reuniões, projetos e até momentos relacionados à alimentação. A proposta parte do princípio de que o aprendizado, tanto de crianças quanto de adultos, acontece de forma mais significativa por meio de experiências práticas, lúdicas e contextualizadas.
“A partir dessa vivência, construímos juntos um projeto que não é apenas de língua, mas de comunicação e cultura”, explica o gestor do CEI Espaço Kairós, Eduardo Arantes, que atua na unidade desde 2015.
Segundo ele, o diferencial está na forma como o aprendizado é incorporado ao dia a dia da unidade, de maneira prática e significativa. “Os educadores aprendem fazendo, falando, cantando, pesquisando. Só faz sentido quando se torna prática pedagógica”, completa.
Impactos no desenvolvimento e na comunidade
Os resultados já são percebidos no dia a dia da unidade. Segundo o gestor, as crianças passaram a se expressar mais e a se comunicar com maior segurança com os educadores. As famílias também se aproximaram da escola e passaram a participar mais ativamente.
Um exemplo desse envolvimento é o da própria idealizadora, que é mãe de um aluno da unidade e decidiu mudar de profissão a partir da experiência com a iniciativa.
O projeto despertou o interesse das professoras para além dos muros da escola. Muitas passaram a buscar referências culturais de forma autônoma, como visitas à feira boliviana no bairro do Brás, além de sugerirem novas ações pedagógicas relacionadas ao tema.
Educação multicultural desde a infância
Embora tenha começado com foco na cultura boliviana, o projeto se expandiu e hoje contempla diferentes nacionalidades presentes na comunidade escolar. “Na sua maioria são famílias latino-americanas, mas temos crianças de diversas origens. O projeto se tornou multicultural”, afirma Arantes.
Elementos como música, alimentação, brincadeiras e tradições são incorporados às práticas pedagógicas, sempre a partir da escuta das crianças e das famílias.
Para a educadora Nadia, a iniciativa também representa uma oportunidade de compartilhar vivências e contribuir com a formação das professoras. Ela destaca que uma das maiores dificuldades enfrentadas por migrantes é a escrita em português, o que muitas vezes limita oportunidades profissionais. Sua trajetória inclui idas e vindas entre Brasil e Bolívia até se estabelecer definitivamente em São Paulo, em 2012.
Referência em acolhimento e inclusão
A experiência do CEI Espaço Kairós já se tornou referência em educação infantil para crianças filhas de migrantes, sendo reconhecida pela comunidade escolar e ganhando visibilidade em nível nacional.
Para o gestor, iniciativas como essa reforçam o papel da escola como espaço de transformação social. “Quando as crianças estão bem acolhidas, todos ganham. A escola precisa reconhecer as diferenças como ponto de partida para superar desigualdades”, afirma.
Ele também ressalta que projetos inovadores surgem do envolvimento da própria comunidade escolar. “Os grandes projetos da educação estão nas pessoas — professores, gestores, famílias e alunos. São eles que conhecem o território e podem promover mudanças reais.”
Sobre o projeto
O Los Niños reafirma a importância de práticas pedagógicas baseadas no diálogo, no respeito e na valorização das culturas dos alunos. Ao integrar idioma, identidade e pertencimento, a iniciativa contribui para a construção de uma educação mais inclusiva, plural e conectada com a realidade dos estudantes.
Sobre
A Secretaria Municipal de Educação (SME) foi criada em 1975 e hoje atende a mais de 1 milhão de estudantes da Educação Infantil ao Ensino Médio, incluindo a Educação de Jovens e Adultos (EJA).
São mais de 4 mil escolas de todas as etapas da Educação Básica, incluindo as CEIs, EMEIs, EMEFs e os 63 CEUs, localizados em áreas de vulnerabilidade social, oferecendo atividades educacionais, culturais e esportivas.
Com uma rede formada por 159 mil profissionais, temos 13 Diretorias Regionais de Educação (DREs) espalhadas pela cidade para ajudar a concretizar os programas e projetos da Secretaria.
A SME também garante material escolar completo e uniforme para todos os alunos, assegurando equidade no acesso às condições de aprendizagem. Além disso, a Rede Municipal mantém matrículas abertas durante todo o ano, garantindo que nenhuma criança ou jovem fique fora da escola.
Em 2026, a SME reafirma seu compromisso com a equidade, a inclusão e a qualidade da educação, fortalecendo políticas públicas que impactam diretamente o cotidiano das escolas e dos estudantes.
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