| No projeto residencial localizado em um condomínio de Campinas (SP), o paisagista e botânico Alexandre Galhego transforma o paisagismo em uma extensão da arquitetura, criando uma composição que preserva a privacidade, suaviza os volumes construídos e faz a casa surgir em meio ao verde |

| A primeira impressão desta residência, situada em um condomínio de Campinas (SP), não vem do concreto ou da volumetria da arquitetura, mas nasce da vegetação, pois antes mesmo dos olhos percorrerem suas linhas retas, encontram diferentes alturas, texturas e massas verdes que conduzem o olhar naturalmente até a casa. Assinado pelo paisagista e botânico Alexandre Galhego, este projeto foi concebido para que natureza e edificação compartilhassem a mesma linguagem. Em vez de preencher os espaços livres da arquitetura, o projeto parte da leitura botânica do terreno para estruturar uma paisagem capaz de evoluir ao longo dos anos. A vegetação deixa de ser um elemento de acabamento e passa a organizar a relação entre arquitetura, clima e a forma como os moradores utilizam os espaços no dia a dia. “Não selecionamos apenas as plantas, mas sim desenhamos a forma como as pessoas passarão a perceber a arquitetura e viverem os espaços externos ao longo do tempo“, ressalta ele. Base verde |
| Os materiais da residência revelam uma linguagem contemporânea marcada pelo concreto, metal e linhas ortogonais. No trabalho executado pelo paisagista e botânico Alexandre Galhego, a vegetação exerce o papel de transição entre a construção e o terreno | Foto: João Friederichs |
| Desde a entrada, a fachada com vista para a rua começa a exibir o paisagismo como parte da própria composição arquitetônica. No lugar de distribuir espécies de maneira pontual, Alexandre estruturou o projeto em camadas com espécies de portes variados. Seus objetivos foram entregar profundidade, acompanhar os acessos e formar uma base verde capaz de equilibrar visualmente as formas da edificação. “A vegetação ajuda a diminuir a rigidez da construção e torna a casa mais acolhedora visualmente“, avalia. |
| O piso drenante escolhido pelo paisagista e botânico Alexandre Galhego reforça a integração ao favorecer a permeabilidade do solo e contribuir para um paisagismo que respeita tanto o funcionamento da casa, quanto o comportamento natural da água | Foto: João Friederichs |
| Privacidade com vegetaçãoSituada nos fundos da casa, a piscina não contava com uma altura de terreno que possibilitasse a privacidade dos usuários. Em função disso, o profissional idealizou uma seleção de espécies capazes de isolar o espaço das construções vizinhas e, ao mesmo tempo, ampliar a sensação de imersão na paisagem. “Ainda assim, a concepção permite que as pessoas tenham o prazer de direcionar o olhar e apreciar o horizonte“, revela ele. |
| Na área de lazer, o projeto idealizado pelo paisagista e botânico Alexandre Galhego emprega a vegetação como elemento de proteção sem comprometer a abertura visual da residência | Projeto Paisagismo | Foto: João Friederichs |
| A composição de diferentes alturas, texturas e volumes faz com que o jardim pareça ter amadurecido junto com a casa. O resultado lembra uma pequena mata tropical cuidadosamente construída para envolver a área de convivência e tornar a arquitetura parte da paisagem. A seleção combina espécies tropicais de diferentes portes e texturas capazes de estruturar visualmente o jardim ao longo do tempo. A composição cria diferentes planos de vegetação, conferindo profundidade, movimento e uma sensação de maturidade que acompanha o desenvolvimento natural da paisagem. “O jardim oferece privacidade sem a sensação de isolamento. A intenção era permitir que os moradores se sentissem envolvidos pela natureza, mas mantendo uma relação aberta com a paisagem“, argumenta. |
| No entorno da piscina, a madeira cumaru foi eleita pelo paisagista e botânico Alexandre Galhego para conceber o deck, o banco em ‘L’ e o forro que compreende a varanda | Fotos: João Friederichs |
| Complementando esse ambiente, o banco desenhado pelo próprio paisagista e apoiado sobre estrutura metálica amplia as possibilidades de permanência. Além de funcionar como espaço de contemplação, o elemento também atua como guarda-corpo, integrando função e desenho em uma única solução. Passagem com paisagem |
| Nos ambientes de circulação nas laterais da casa, o paisagismo empreendido pelo paisagista e botânico Alexandre Galhego reduz a sensação de rigidez por meio de espécies que acompanham todo o percurso | Fotos: João Friederichs |
| Normalmente lembrados apenas por sua função de passagem, os corredores laterais da residência ganharam uma atmosfera completamente diferente com a adição de filodendros, bambus e outras espécies que acompanham o percurso, quebram a rigidez dos fechamentos laterais. “A ideia é tornar os deslocamentos cotidianos muito mais agradáveis“, alega Alexandre. A naturalidade do conjunto, no entanto, é resultado de uma série de decisões técnicas. Cada espécie foi selecionada considerando seu desenvolvimento ao longo dos anos, a adaptação ao clima, necessidade de manutenção e relação com as demais plantas. É justamente essa combinação entre conhecimento botânico e desenho paisagístico que faz o jardim evoluir sem perder equilíbrio ao longo do tempo. “O paisagismo é um organismo vivo. As plantas crescem, mudam de forma, retratam relações entre si e nossa atuação consiste em antecipar esse desenvolvimento para que o jardim continue bonito e equilibrado durante muitos anos“, finaliza. Sobre Alexandre Galhego PaisagismoEngenheiro agrônomo formado pela USP e mestre em Biologia e Botânica pela UNESP, Alexandre Galhego atua há mais de 30 anos desenvolvendo projetos de paisagismo residenciais e comerciais que unem conhecimento botânico, arquitetura e processos naturais.(19) 98214-4757. E-mail: contato@alexandregalhego.com.br Instagram: @alexandregalhegopaisagismo Site: www.alexandregalhego.com.br |