Waguinho, Matheus Alpes, Luis Felp e Coração de Papi mostram como a exposição da rotina com os filhos também reflete mudanças na forma de viver, compartilhar e ressignificar a relação entre pais e filhos

Durante muito tempo, falar sobre paternidade esteve associado à figura do pai como provedor, autoridade e referência para os filhos. Hoje, novos modelos começam a ganhar espaço e, com eles, uma geração de homens que encontra nas redes sociais um ambiente para compartilhar não apenas momentos de lazer em família, mas também aprendizados, desafios, afeto e diferentes maneiras de construir vínculos. É nesse movimento que criadores como Waguinho, Matheus Alpes, Luis Felp e Carlos Arasaki (Coração de Papi) transformam experiências cotidianas em conteúdo e ajudam a colocar em evidência uma discussão cada vez mais presente: como os homens estão ressignificando aquilo que aprenderam sobre ser pai.
Para Matheus Alpes, essa reflexão também passa pelas referências que recebeu durante a infância. Criado na roça, o influenciador teve uma vivência familiar marcada pelo contato com a vida no campo e por uma rotina diferente daquela experimentada por muitos pais atualmente. A chegada dos próprios filhos trouxe a oportunidade de preservar alguns desses valores, ao mesmo tempo em que novas experiências foram incorporadas à criação. “Eu cresci em um ambiente muito diferente do que meus filhos estão crescendo hoje. A vida na roça me ensinou muito sobre responsabilidade, simplicidade, família e sobre valorizar as coisas pequenas. Como pai, quero passar esses ensinamentos para eles, mas também permitir que construam as próprias experiências. A paternidade é justamente esse encontro entre aquilo que você recebeu e aquilo que escolhe transmitir”, afirma.
Essa relação entre passado e presente também aparece na maneira como os pais ocupam o ambiente digital. A rotina familiar, antes restrita ao círculo mais próximo, passou a fazer parte do cotidiano das redes, seja em registros espontâneos, brincadeiras, viagens ou situações corriqueiras. Para Luis Felp, compartilhar esses momentos também é uma forma de mostrar uma dimensão mais cotidiana da paternidade. “O que mais gosto de mostrar é justamente o que acontece no dia a dia. Não precisa ser uma grande ocasião para existir um momento especial com os filhos. Uma brincadeira, uma conversa, uma situação engraçada ou até uma dificuldade fazem parte dessa relação e acabam mostrando um lado da paternidade que muitas vezes não aparece”, comenta.
Ao mesmo tempo em que as redes ampliam a conversa sobre paternidade, elas também colocam os homens diante de novas expectativas. A ideia de ser um “pai perfeito” perde espaço para uma relação mais realista, em que dúvidas e aprendizados fazem parte do processo. Para Carlos Arasaki, essa mudança está relacionada à possibilidade de construir uma relação com os filhos a partir da própria experiência, sem necessariamente reproduzir modelos anteriores. “Observar como nossos pais nos criaram é inevitável, mas isso não significa que precisamos seguir exatamente o mesmo caminho. Quando você se torna pai, começa a perceber quais valores quer manter e quais comportamentos gostaria de transformar. É uma construção muito particular, porque cada família encontra sua própria maneira de se relacionar”, explica.
Indo além de registrar momentos familiares, o conteúdo produzido por esses criadores acompanha uma mudança cultural na maneira como a figura paterna é percebida. Pais presentes na rotina, envolvidos emocionalmente e dispostos a demonstrar carinho passam a ocupar um espaço maior no imaginário social, inclusive nas redes, onde experiências individuais podem rapidamente se transformar em conversas coletivas.
Com Waguinho, essa transformação também passa por rever as próprias referências sobre masculinidade e paternidade. “Crescemos com muitas ideias prontas sobre o que significa ser homem e sobre o papel de um pai dentro de casa. Quando você tem um filho, começa a perceber que pode escolher o que faz sentido para a sua família. Algumas referências permanecem, outras mudam, e isso faz parte do processo. Hoje, vejo a paternidade muito mais como uma construção diária do que como um papel que você simplesmente aprende e passa a desempenhar”, afirma.
A chegada de um segundo filho também amplia essa reflexão para Waguinho e Laurinha. O casal anunciou a gravidez em maio deste ano e, em julho, revelou que espera outro menino, Diego Leoni, que ainda não nasceu e chegará para fazer companhia ao irmão mais velho, Nicolas Levi. Com a nova fase se aproximando, Waguinho vive novamente a expectativa de se tornar pai, agora a partir das experiências acumuladas com o primeiro filho. “A chegada do Diego traz uma sensação diferente porque já vivi muita coisa com o Nicolas, mas sei que a história com ele será única. Também fico feliz em ver o Nicolas começando a entender que vai ganhar um irmão e imaginando como será essa nova dinâmica entre nós. É uma nova fase para toda a família”, conta.
Para Matheus Alpes, a possibilidade de falar sobre sentimentos de maneira mais aberta também representa uma mudança importante em relação às gerações anteriores. “Ser pai envolve insegurança, cansaço, dúvida e aprendizado. Nem sempre você sabe o que fazer, e acho importante poder falar sobre isso. Mostrar essas experiências também ajuda a quebrar a ideia de que o homem precisa estar sempre no controle e ter todas as respostas”, afirma.
Já Carlos destaca como a relação com os filhos também modifica os próprios pais. “Quando você se torna pai, imagina que vai ensinar muita coisa, mas logo percebe que existe uma troca enorme. Os filhos apresentam outras perspectivas, mudam sua rotina e fazem você rever algumas certezas. É uma relação em que os dois lados estão aprendendo.”
Nesse contexto, as redes sociais funcionam como uma janela para diferentes experiências de paternidade. Ao compartilhar momentos que vão muito além das datas comemorativas, criadores como Alpes, Luis Felp, Waguinho e Coração de Papi ajudam a mostrar uma geração que está construindo suas próprias referências. Entre diferentes histórias de infância, rotinas familiares e expectativas para o futuro, esses pais revelam que a paternidade contemporânea pode assumir diferentes formas, e que cada família também tem a oportunidade de escrever a sua própria história.