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Olho seco na menopausa não é falta de água; saiba qual é o hormônio que realmente causa o problema 

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Senior woman in glasses rubs her eyes, suffering from tired eyes, ocular diseases concept

Pesquisadora mostra por que produzir mais lágrima pode não resolver os sintomas

Ardência, sensação de areia nos olhos e visão que embaça ao anoitecer costumam ser atribuídas ao cansaço ou às telas. Mas, segundo a ginecologista e pesquisadora Fabiane Berta, a causa raramente investigada é hormonal.

“O olho é um órgão-alvo hormonal e quem sustenta a lágrima na superfície ocular é a testosterona e não o estrogênio, como o senso comum supõe. Uma em cada duas mulheres na transição menopausal tem algum grau de desconforto ocular, e a queixa quase nunca aparece na consulta de climatério, pois a maioria pensa que olho seco é falta de água, e nem sempre é isso. A mulher pode produzir lágrima e, ainda assim, não conseguir mantê-la estável na superfície do olho, e é aí que o desconforto continua”, explica Fabiane.

De acordo com a especialista, a lágrima tem três camadas: água, que hidrata; muco, que fixa essa água ao olho; e uma fina camada de óleo, que evita a evaporação. “Quando esse equilíbrio hormonal oscila na menopausa, o óleo muda de qualidade, o canal da glândula entope e a lágrima evapora mais rápido. É por isso que muitas mulheres lacrimejam justamente quando estão com olho seco, já que o olho tenta compensar produzindo mais água, que evapora de novo”, afirma Fabiane.

Segundo a pesquisadora, o diagnóstico completo depende de dois exames: o teste de Schirmer, que mede a quantidade de lágrima, e o TBUT (tempo de ruptura do filme lacrimal), que mede quanto tempo essa lágrima resiste antes de se romper. 

“É o segundo, menos pedido nos exames de rotina, que costuma revelar o problema real. O estrogênio, usado na terapia hormonal, melhora o volume de lágrima produzido, mas não estabiliza esse tempo de forma consistente, já que ele repõe a água mas não segura o filme lacrimal. Quem faz isso é a camada de óleo, e ela responde à testosterona. Tratar olho seco pensando só em estrogênio é tratar metade do problema”, resume Fabiane.

Como suporte ao tratamento, de acordo com a pesquisadora, três frentes nutricionais têm respaldo científico: ômega-3 (especialmente EPA), que melhora a qualidade da secreção oleosa; vitamina D, associada a um filme lacrimal mais estável; e vitamina A, matéria-prima do muco que fixa a lágrima ao olho. 

“Não existe o olho seco da mulher, mas existem os olhos secos das mulheres,  a mesma queixa nasce de mecanismos diferentes, por isso o tratamento é individual. Lágrima artificial sem conservante, higiene da pálpebra e revisão de medicamentos que ressecam o olho costumam vir antes de qualquer prescrição hormonal”, diz Fabiane.

Ela alerta que merecem atenção médica a ardência ou sensação de areia nos olhos, visão que embaça e melhora ao piscar, piora ao fim do dia ou diante de telas, lacrimejamento paradoxal e desconforto ao usar lentes de contato antes bem toleradas. “A mulher que enxerga mal ao anoitecer não precisa de paciência, precisa que a superfície ocular seja investigada como parte do climatério. O erro raramente é não tratar, mas é não perguntar”, finalzia a pesquisadora.

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