Às vésperas do Dia dos Pais, psicólogo alerta que a maior herança deixada aos filhos não é material, mas é construída diariamente por meio da presença, do afeto e do exemplo.

À medida que o Dia dos Pais se aproxima, cresce também a reflexão sobre o verdadeiro significado da paternidade. Muito além do sustento financeiro ou da autoridade dentro de casa, especialistas destacam que a presença emocional do pai exerce influência direta no desenvolvimento dos filhos e pode impactar a autoestima, os relacionamentos e até a saúde mental ao longo da vida. Para o psicólogo clínico Luti Christóforo, o maior legado que um pai pode deixar não é um patrimônio, mas a certeza de que o filho foi amado, valorizado e respeitado.
Segundo o especialista, a construção desse vínculo acontece nas pequenas atitudes do cotidiano. Demonstrar carinho, ouvir, orientar e participar da vida dos filhos são comportamentos que permanecem na memória muito mais do que presentes ou conquistas materiais. “A maior herança que um pai pode deixar não é um patrimônio. É a lembrança de ter sido amado. É o filho crescer sabendo que foi amado, protegido, ouvido, orientado e, principalmente, valorizado. O amor precisa ser demonstrado e verbalizado, porque as palavras de um pai ecoam na alma de um filho por toda a vida”, afirma.
Luti ressalta, porém, que amar não significa dizer “sim” para tudo. Em sua avaliação, educar também exige estabelecer limites, ensinar responsabilidade e mostrar que toda escolha tem consequências. Para ele, filhos precisam de afeto, mas igualmente de direção, referências e valores. O equilíbrio entre acolhimento e firmeza é um dos pilares para o desenvolvimento emocional saudável.
Outro aspecto frequentemente observado no consultório é a influência do comportamento dos pais dentro da família. De acordo com o psicólogo, os filhos aprendem muito mais pelas atitudes do que pelos discursos. A maneira como o pai trata a mãe, administra conflitos, pede desculpas, demonstra respeito e enfrenta as dificuldades acaba servindo de modelo para as futuras relações dos filhos. Mesmo quando o casal não permanece junto, preservar o respeito mútuo continua sendo uma importante demonstração de maturidade e caráter.
A experiência clínica também mostra que muitas dificuldades emocionais da vida adulta têm origem em ausências afetivas vividas na infância. Homens e mulheres carregam por décadas a falta de um abraço, de uma palavra de incentivo ou de um simples gesto de aprovação. “No consultório, vejo com frequência adultos que ainda sofrem pela ausência emocional do pai. Por isso, nunca espere uma data especial para demonstrar amor. A infância passa, a adolescência passa e o tempo não volta. O vínculo precisa ser construído todos os dias.”
Neste Dia dos Pais, Luti Christóforo propõe uma reflexão simples, mas profunda: o melhor presente talvez não esteja em uma loja. Pode ser uma conversa sincera, um abraço mais demorado, um pedido de perdão, uma demonstração de orgulho pelo filho ou três palavras que nunca deveriam faltar entre pai e filho: “Eu amo você”. Para o psicólogo, são esses gestos que permanecem vivos na memória e ajudam a formar adultos mais seguros, confiantes e emocionalmente saudáveis.
Serviço: Luti Christóforo
Psicólogo clínico
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