terça-feira, agosto 25, 2026

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Novo teste para câncer de intestino chega ao SUS: quem deve fazer?

Teste de fezes é destinado ao rastreamento de homens e mulheres de 50 a 75 anos que não apresentam sintomas e pode identificar sangue invisível a olho nu. Cirurgião explica por que resultado positivo precisa ser investigado com colonoscopia
 

Uma nova medida do Sistema Único de Saúde (SUS) pretende ampliar as oportunidades no combate ao câncer colorretal: descobrir a doença antes dos sintomas. Desde 10 de agosto, o Ministério da Saúde incluiu na tabela de procedimentos do SUS o Teste Imunoquímico Fecal (FIT) para o rastreamento do câncer colorretal. O exame é destinado a homens e mulheres assintomáticos entre 50 e 75 anos e deverá ser realizado a cada dois anos. A inclusão pode ampliar o acesso de mais de 40 milhões de brasileiros ao rastreamento.

Para o cirurgião do aparelho digestivo Dr. Rodrigo Barbosa, a mudança ajuda na investigação antes que o intestino comece a dar sinais de que alguma coisa está errada. “O rastreamento existe justamente para procurar alterações em pessoas que estão se sentindo bem. Quando esperamos o aparecimento dos sintomas para investigar, já não estamos mais falando propriamente de rastreamento, mas da investigação de uma possível doença. No câncer colorretal, essa diferença pode ser muito importante”, explica o médico.
 

O que o novo exame procura?

O FIT é um exame realizado a partir de uma pequena amostra de fezes e utiliza anticorpos específicos para detectar pequenas quantidades de sangue humano que não são visíveis a olho nu. Esse sangramento pode estar relacionado à presença de pólipos, lesões pré-cancerígenas ou ao próprio câncer colorretal.

O exame tem uma vantagem prática: não exige preparo intestinal, não requer dieta restritiva antes da coleta e pode ser realizado com uma única amostra. Segundo informações divulgadas pelo INCA, o teste apresenta sensibilidade entre 85% e 92%.

“É um exame muito mais simples para o paciente do que uma colonoscopia e pode funcionar como uma primeira etapa para selecionar quem precisa avançar na investigação. Mas é fundamental entender que encontrar sangue oculto não significa automaticamente ter câncer”, ressalta Dr. Rodrigo.

FIT positivo significa câncer?

Não. O sangue nas fezes pode ter diferentes causas, e o FIT não é um exame capaz de mostrar onde está uma eventual lesão ou confirmar sozinho um diagnóstico de câncer. Por isso, um resultado positivo precisa ser seguido de investigação adequada. A diretriz desenvolvida para o rastreamento prevê colonoscopia após um FIT positivo.

É na colonoscopia que o médico consegue visualizar o interior do intestino grosso, identificar alterações e, quando indicado, retirar pólipos ou realizar biópsias.

“O FIT funciona como um sinalizador. Se ele identifica sangue oculto, precisamos descobrir de onde esse sangue está vindo. É nesse momento que a colonoscopia assume um papel fundamental, porque permite olhar diretamente para o intestino e investigar a causa”, explica o cirurgião.

E quem tem sintomas deve esperar pelo FIT?

Esse é um dos pontos que mais podem gerar confusão com a chegada do novo exame.

A recomendação de rastreamento bienal com FIT é destinada a pessoas entre 50 e 75 anos que não apresentam sintomas.

Quem apresenta sangue visível nas fezes, alteração persistente do hábito intestinal, dor abdominal frequente, sensação de evacuação incompleta, perda de peso sem explicação, fraqueza ou anemia não deve simplesmente esperar o próximo exame de rastreamento. Esses sinais justificam avaliação médica e podem exigir uma estratégia de investigação diferente.

“Rastreamento é para quem não tem sintomas. Quando existem sinais de alerta, é necessário procurar atendimento para definir a investigação adequada”, reforça Dr. Rodrigo.

Por que descobrir antes dos sintomas faz tanta diferença?

O câncer colorretal se desenvolve no cólon ou no reto e, em muitos casos, começa a partir de pólipos, lesões inicialmente benignas que podem crescer na parede interna do intestino e, ao longo do tempo, sofrer alterações. Segundo o INCA, quando o câncer de intestino é identificado precocemente, antes de se espalhar para outros órgãos, ele é tratável e, na maioria dos casos, curável.

O problema é que a doença pode permanecer silenciosa em suas fases iniciais.

Por isso, esperar o organismo “avisar” nem sempre é a melhor estratégia.

“Uma pessoa pode estar trabalhando, se alimentando normalmente, sem dor e sem enxergar qualquer alteração nas fezes e ainda assim apresentar uma lesão inicial. É justamente essa janela silenciosa que o rastreamento tenta alcançar”, afirma o especialista.

A relevância da medida também aparece nos números. A estimativa mais recente do INCA aponta cerca de 53,8 mil novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil no triênio 2026–2028.

O novo teste substitui a colonoscopia?

Não em todas as situações. O FIT e a colonoscopia cumprem funções diferentes. O teste fecal permite realizar um rastreamento menos invasivo em uma população ampla. Já a colonoscopia possibilita visualizar o intestino, identificar lesões, realizar biópsias e retirar determinados pólipos.

Além disso, idade não é o único elemento considerado na avaliação individual. Pessoas com sintomas, antecedentes pessoais ou histórico familiar relevante podem precisar de uma estratégia diferente daquela indicada para a população assintomática de risco habitual.

“A grande contribuição do novo teste é tornar o rastreamento mais acessível. Mas ele não elimina a colonoscopia. O que muda é que podemos ter uma porta de entrada simples para milhões de pessoas que estão aparentemente saudáveis e que talvez nunca procurassem espontaneamente uma investigação do intestino”, afirma.

“Não é preciso esperar o intestino apresentar sintomas para começar a pensar em prevenção. Quando falamos em câncer colorretal, encontrar uma alteração antes de ela provocar sintomas pode mudar completamente a história daquele paciente. O novo teste no SUS cria uma oportunidade importante para fazer exatamente isso: procurar antes que o corpo precise avisar”, finaliza Dr. Rodrigo Barbosa.

Sobre Dr Rodrigo Barbosa

Dr Rodrigo Barbosa, cirurgião digestivo sub-especializado em cirurgia bariátrica e coloproctologia do corpo clínico dos hospitais Sírio Libanês e Nove de Julho. CEO do Instituto Medicina em Foco 

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