Com a Copa do Mundo já a todo vapor e o retorno da tradicional corrida pelo álbum de figurinhas, o Colégio pH decidiu transformar um hábito comum entre crianças e adolescentes em uma oportunidade de aprendizagem.

A instituição implementou um conjunto de orientações para organizar as trocas de figurinhas entre os alunos e aproveitar a movimentação para trabalhar temas como convivência, respeito, negociação e ética nas relações.
A proposta surgiu a partir de situações recorrentes nesse período, quando a empolgação para completar o álbum pode gerar conflitos, disputas e trocas consideradas injustas. Em vez de proibir a atividade, a escola optou por incorporá-la ao cotidiano escolar de forma estruturada.
Segundo a coordenação pedagógica, a iniciativa busca mostrar que momentos aparentemente simples do dia a dia também ajudam a desenvolver competências socioemocionais. Durante as trocas, os estudantes são estimulados a praticar o diálogo, respeitar acordos, lidar com frustrações e compreender a importância de agir com honestidade.
“O projeto não trata apenas de figurinhas. Ele trata de convivência. A escola aproveita uma experiência muito presente no universo infantil para ensinar sobre responsabilidade, reciprocidade, consentimento e consequências das próprias escolhas”, afirma Filipe Couto, diretor pedagógico do Colégio pH.
A ação integra o trabalho da escola voltado para a formação cidadã e reforça a ideia de que o ambiente escolar também é um espaço para aprender a conviver, fazer escolhas e construir relações saudáveis.
Entre as principais diretrizes estabelecidas pela escola estão:
- Figurinhas podem ser trocadas, mas não vendidas dentro da escola
- Jogos não podem envolver aposta de figurinhas
- Trocas só podem acontecer em horários e locais autorizados
- Toda troca deve ser clara e confirmada pelas duas partes
- A escola poderá intervir em casos de pressão, coação ou injustiça
- Trocas entre alunos de diferentes segmentos não serão permitidas
- Não serão aceitas trocas feitas sob insistência ou constrangimento
- Figurinhas muito raras ou de alto valor afetivo devem permanecer em casa
Segundo Couto, o projeto ajuda os alunos a desenvolverem autonomia moral e consciência coletiva. “A criança começa seguindo regras porque um adulto mandou. Mas a educação precisa ajudá-la a compreender o sentido dessas regras. O objetivo é formar alunos capazes de agir com ética mesmo quando não há vigilância”, explica.
A proposta também busca combater a lógica da vantagem individual dentro do ambiente escolar. Os alunos são incentivados a compreender que uma troca justa depende de clareza, consentimento e responsabilidade sobre o impacto das próprias atitudes nos colegas. Além disso, a escola procura mostrar que nenhuma conquista individual justifica o desgaste das relações, estimulando os estudantes a valorizarem mais os vínculos de amizade, respeito e confiança do que a simples obtenção de figurinhas.
Outro ponto importante trabalhado pela escola é a diferença entre arrependimento e injustiça. O plano pedagógico entende que frustrações fazem parte do amadurecimento, mas estabelece intervenção em situações envolvendo pressão, coação, mentira, promessas não cumpridas ou desigualdade evidente entre os estudantes.
“O aluno aprende que liberdade não significa fazer qualquer coisa. A escolha individual encontra limites quando afeta emocionalmente o outro ou compromete relações de confiança”, afirma Couto.
O documento também proíbe a circulação de dinheiro, apostas e dívidas relacionadas às figurinhas dentro da escola. A medida busca evitar que diferenças econômicas criem relações de poder ou exclusão entre os alunos.
A iniciativa dialoga diretamente com o Programa de Convivência Ética do pH, que entende a convivência como parte estruturante da formação dos estudantes e trabalha, de forma contínua, competências relacionadas à empatia, escuta, cooperação e responsabilidade coletiva.