domingo, julho 21, 2024

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Eduardo Kobra pinta mural sobre vitória e superação em cidade francesa que recebe delegação brasileira nos Jogos Olímpicos 2024

Inspirada na tela “A Liberdade guiando o povo”, de Eugène Delacroix, obra deixará um legado para região

O artista plástico Eduardo Kobra renova a tradição de pintar murais em Olimpíadas e agora leva a sua arte para a cidade francesa de Saint-Ouen, base da delegação brasileira durante os Jogos Olímpicos de Paris 2024. A convite da Prefeitura local, ele produziu o mural “Voz da Liberdade”, inspirado na tela “A Liberdade guiando o povo”, de Eugène Delacroix, representando vitória e superação. A obra foi inaugurada na última quinta-feira (13).

Neste trabalho, Kobra apresenta uma reinterpretação vibrante e contemporânea de Marianne, símbolo da liberdade e da Revolução Francesa, que aparece como protagonista da tela de Delacroix. Com um toque moderno, a imagem captura Marianne em uma pose de determinação e ação, segurando uma bandeira que proclama “Sois ton propre héros” (Seja seu próprio herói).

“Acredito na potência do esporte como uma engrenagem que transforma vidas. Quero deixar um legado com o mural para trazer inspiração aos atletas e mostrar a importância da garra e perseverança na realização dos sonhos”, comenta Kobra. 

“Quando falamos em democratização da excelência, quando falamos em beleza, quando falamos em projeção, quando falamos em melhorar a vida das pessoas por meio da cultura, hoje isso ganha todo o seu significado através deste mural. Ele incorpora os valores que defendemos diariamente para os Audonianos e Audonianas”, explica Karim Bouamrane, prefeito de Saint-Ouen-sur-Seine e vice-presidente do Conselho Departamental de Cultura.

O mural faz parte do projeto beneficente “Seja seu Próprio Herói”, idealizado pela esgrimista campeã mundial brasileira Nathalie Moellhausen para apoiar instituições brasileiras de esgrima. A atleta vai disputar a medalha inédita na modalidade. Os Jogos de Paris vão acontecer entre 26 de julho e 11 de agosto. 

A parceria que une a arte ao esporte começou com a pintura de três máscaras de esgrima. O artista plástico retratou Mahatma Gandhi, Madre Teresa Calcutá e um leão. A proposta foi valorizar grandes personalidades da História e simbolizar a força e a agilidade de um herói, caracterizada pelo grande felino. Os itens estão à venda para beneficiar instituições sociais brasileiras de esgrima com o objetivo de ajudar crianças a participarem de campeonatos. 

“Desejo que todas as crianças do mundo com um sonho de ouro tenham a chance que eu tive para torná-lo real e heróis de si mesmas”, diz Nathalie. 

Arte nas Olímpiadas

Kobra estreou a produção de obras dedicadas às Olimpíadas na época do Rio 2016, quando o Brasil e a América Latina sediaram pela primeira vez o maior evento esportivo do mundo. Em parceria com o Comitê Olímpico Internacional (COI), ele fez o mural Etnias, produzido no Boulevard Olímpico para expressar a diversidade dos povos. A obra de três mil metros quadrados entrou no Guinness World Records como o maior grafite do mundo. 

Assim como os arcos olímpicos, a arte simboliza cinco tribos, uma de cada continente: huli (Oceania), os mursi (África), os kayin (Ásia), os supi (Europa) e os tapajós (Américas). Duas linhas verde e amarela, pintadas na região dos olhos de cada representante, conectam as nações e personificam a paz e a união. 

Além de significar um momento histórico na carreira de Kobra, o projeto – que faz parte do legado olímpico – foi um marco para cariocas e turistas. A revitalização do porto do Rio, conhecido como Porto Maravilha, transformou a região com opções de lazer, cultura e mobilidade urbana. 

Também em 2016, pouco antes dos jogos aconteceram na capital fluminense, Kobra coloriu a sede das Olimpíadas de 2020, Tóquio, com grandes símbolos da Cidade Maravilhosa. As artes fazem uma conexão entre o Brasil e o Japão. Na fachada da Embaixada Brasileira na capital japonesa, retratou os principais nomes da bossa nova, Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Na região de Minami-Ikebukuro, o artista plástico pintou um mural que apresenta o Cristo Redentor, uma das sete Maravilhas do Mundo, e o calçadão de Copacabana. 

Sobre Eduardo Kobra

Nascido na periferia de São Paulo em 1975, Eduardo Kobra alcançou reconhecimento global como um dos artistas mais renomados da atualidade. Sua jornada artística começou como pichador na adolescência. Ao longo dos anos, Kobra desenvolveu seu estilo marcante de muralismo, caracterizado por cores vibrantes e contrastantes, e sua habilidade em retratar personalidades, fatos históricos e questões sociais em murais gigantescos.

Com obras em cinco continentes, Kobra quebrou recordes de tamanho de murais, incluindo o maior mural grafitado do mundo. Seu trabalho ganhou visibilidade internacional, com destaque para a obra “O Beijo” em Nova York. Além disso, ele recebeu convites de galerias, museus e organizações, incluindo a ONU, para exibir suas obras e participar de projetos de prestígio. 

Kobra também se envolve em causas sociais, usando a arte como veículo para promover mudanças positivas. O Instituto Kobra busca aproximar a cultura a quem tem menos acesso e apoiar causas humanitárias, enquanto suas parcerias com empresas contribuem para viabilizar seus projetos públicos de grande escala. Sua trajetória é um exemplo inspirador de como a arte pode transcender fronteiras e causar impacto positivo no mundo.

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