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Busca e apreensão de veículo financiado: Como funciona e o que fazer?

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Especialista da Recovery explica quando a apreensão pode ocorrer, quais são os direitos do consumidor e como negociar a dívida.

A busca e apreensão de um veículo financiado pode acontecer quando o consumidor não paga as parcelas previstas em contrato. Nessa situação, a instituição credora pode solicitar a retomada do bem dado como garantia na operação. Porém, o que você precisa saber é que, na maioria dos casos, é possível negociar a dívida antes da apreensão do veículo.

O tema é especialmente relevante no cenário brasileiro atualmente. No país, o financiamento é uma das principais formas de compra de veículos, de acordo com dados divulgados em janeiro de 2026 pela B3. Em 2025, um total de 7,2 milhões de unidades foram financiadas, sendo 4,6 milhões de veículos usados e 2,6 milhões de novos.

Contudo, a porcentagem de famílias endividadas no Brasil é outro fato que merece atenção, alcançando a marca de 80,4% em março deste ano. Esse é o maior patamar desde 2010, quando a série histórica passou a ser registrada, como apontou a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) e divulgada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE).

Em geral, nos contratos de financiamento com alienação fiduciária, em que um bem é apresentado como garantia de pagamento, o veículo permanece vinculado ao credor até a quitação integral da dívida. Ou seja, embora o consumidor use o carro ou a moto para circular normalmente, na prática, o bem ainda não é totalmente seu até a quitação.

“A alienação fiduciária é um mecanismo que oferece segurança para a concessão do crédito. Quando ocorre inadimplência, a legislação prevê procedimentos para que o credor possa recuperar o bem objeto da garantia”, explica Claudia Andrade, Diretora de Cobrança da Recovery.

Com quantas parcelas em atraso o veículo pode ser apreendido?

Não existe um número mínimo de parcelas definido em lei para que o processo seja iniciado. O que determina a possibilidade de cobrança é a inadimplência contratual. Por isso, é importante que o consumidor leia o contrato e acompanhe qualquer comunicação enviada pela instituição credora. 

“A recomendação é que o consumidor trate da situação de inadimplência logo nos primeiros sinais de dificuldade financeira, pois isso amplia as possibilidades de negociação e evita que o veículo seja apreendido”, afirma Claudia.

O que é busca e apreensão de veículo financiado?

A busca e apreensão é um procedimento usado por credores para recuperar veículos com contratos em atraso. Quando o consumidor não cumpre as condições do financiamento, o credor pode adotar medidas para reaver o bem e usar o valor obtido com a venda na redução ou quitação do saldo devedor.

Recentemente, o Marco Legal das Garantias (Lei nº 14.711/2023) passou a permitir a retomada extrajudicial de veículos financiados, desde que prevista em contrato e observados os requisitos legais. A regulamentação específica para veículos ficou a cargo do Conselho Nacional de Trânsito (Contran), por meio da Resolução nº 1.018/2025. Além disso, adotou-se a notificação eletrônica, para que o devedor inadimplente tome ciência do processo.

O que acontece após a apreensão do veículo?

O veículo passa por procedimentos de avaliação e pode ser destinado à venda ou leilão. O valor arrecadado é utilizado pelo credor para abater a dívida existente, mas isso não significa que o débito será encerrado automaticamente.

Caso o valor obtido com a venda seja inferior ao saldo devedor total, incluindo juros, encargos e despesas previstas em contrato, o consumidor deverá pagar a diferença. Por outro lado, quando há saldo excedente após a quitação integral da dívida e dos custos envolvidos, a legislação prevê sua devolução ao devedor.

Como evitar a busca e apreensão do veículo?

Não ignore os primeiros atrasos nas parcelas e entre em contato com o credor quando identificar dificuldades financeiras. Além disso, solicite informações atualizadas sobre o saldo devedor e avalie sua capacidade real de pagamento antes de fechar acordos. Por fim, formalize todas as negociações por escrito e guarde comprovantes e documentos relacionados ao financiamento.

É possível negociar a dívida depois da apreensão?

Depende do momento do processo. Enquanto o veículo ainda não foi vendido, a única forma de reavê-lo é por meio da purgação da mora, ou seja, o pagamento integral do débito em atraso, com os respectivos juros, encargos e despesas. Já se o bem já tiver sido vendido e restar saldo devedor remanescente, esse valor pode ser negociado com o credor. Por isso, o consumidor deve acompanhar a evolução do processo, manter seus dados atualizados junto ao credor e solicitar esclarecimentos sobre eventuais acordos.

Sobre a Recovery 

A Recovery é uma empresa do Grupo Itaú e plataforma especialista em recuperação de crédito no Brasil. Líder de mercado, a companhia possui sob sua gestão mais de R$ 144 bilhões de créditos inadimplidos e, atualmente, mais de 33 milhões de clientes com dívidas ativas em sua base. Mais informações em https://www.gruporecovery.com.    

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