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Pare tudo o que você está fazendo e vá ao ! É sério. O ” consegue algo que há tempos não acontecia. É uma obra que obriga a pensar sobre a sociedade em que vivemos, em um mundo caótico, em que faltam detalhes para que tudo possa explodir em uma direção desconhecida.

Pode-se até pensar que isso é bom num primeiro momento, mas a questão central é a motivação para essa transformação. O diretor Todd Phillips consegue, pelo uso da câmara e pelo ritmo da narrativa, valorizar os motivos da violência do protagonista, interpretado magistralmente pelo ator Joaquin Phoenix.

O eixo que faz o filme funcionar está em mostrar como um rapaz oriundo de uma família desagregada que é explorado pelo patrão e pela sociedade no trabalho de palhaço vai crescendo em descontrole até se tornar um assassino. O curioso e significativo, porém, é que esse sentimento de raiva contra a sociedade é assumido pela população.

A ideia de eliminar os poderosos ganha as ruas com máscaras e violência discriminada. O sentimento não é nobre, mas retrata uma percepção de mundo que parece tender a crescer. Se parte da sociedade vive em anomia, no sentido de uma perigosa passividade; outra, como mostra o filme, pode tornar o ódio do Coringa num perigoso sentimento permanente.

Texto por Oscar D’Ambrosio

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