terça-feira, março 3, 2026

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Libido feminina em todas as fases da vida, neurocientista explica

Falar sobre libido feminina ainda é tabu. No Dia Internacional da Mulher, discutir desejo não é futilidade — é saúde integral.

A libido muda ao longo da vida. Ela pode oscilar na juventude, no pós-parto, na fase de múltiplas responsabilidades profissionais, na perimenopausa e na menopausa. E não é apenas uma questão hormonal. O desejo nasce no cérebro.

“Quando a mulher está em estado constante de estresse, sobrecarga mental, ansiedade ou fadiga, o cérebro prioriza sobrevivência — não prazer. Áreas ligadas ao desejo e à motivação reduzem sua atividade. O corpo até pode estar disponível, mas o sistema nervoso não está”, explica a neurocientista e aromaterapeuta Daiana Petry.

É nesse ponto que a aromaterapia tem despertado interesse científico.

“O olfato é o único sentido com conexão direta ao sistema límbico — região cerebral responsável pelas emoções, memória e prazer. Isso explica por que certos cheiros despertam lembranças, sensações de acolhimento ou até sensualidade”, diz.
 

Evidência científica na menopausa

Um estudo clínico com 63 mulheres na pós-menopausa mostrou que a inalação do óleo essencial de neroli, por cinco minutos, duas vezes ao dia, durante cinco dias, aumentou significativamente o desejo sexual, a sensação de vitalidade e reduziu sintomas físicos da menopausa.

“Embora a pesquisa seja específica para essa fase, o mecanismo é mais amplo: quando o sistema nervoso sai do estado de alerta e entra em equilíbrio, o desejo pode reaparecer”, fala Daiana que ainda explica que é importante destacar que a aromaterapia não substitui avaliação médica nem trata disfunções sexuais estruturais. Ela pode atuar como ferramenta complementar de regulação emocional e sensorial.
 

Aromas tradicionalmente utilizados para libido feminina
 

Ylang Ylang — relaxamento e abertura ao prazer

Durante períodos de estresse ou sobrecarga, o sistema nervoso simpático permanece ativado. O ylang ylang é tradicionalmente utilizado para favorecer relaxamento profundo e reduzir tensão emocional.
Ele não “estimula” diretamente o desejo, mas ajuda a remover bloqueios causados por hiperalerta e ansiedade — condição essencial para que o prazer aconteça.

Rosa — reconexão emocional

Mudanças corporais, maternidade, envelhecimento e pressões sociais podem impactar a autoestima feminina. O óleo essencial de rosa é associado ao acolhimento emocional e à sensação de segurança.
Quando o cérebro percebe segurança, ele libera espaço para o prazer. O desejo começa na autopercepção.

Neroli — vitalidade e bem-estar

Associado à redução do estresse e melhora do humor, o neroli demonstrou, em estudo clínico, impacto positivo na vitalidade e no desejo sexual em mulheres na pós-menopausa.

Libido não tem idade

Daiana conta que na juventude, o excesso de estímulos e ansiedade podem reduzir a conexão com o próprio corpo.
Na fase adulta, a dupla jornada pode gerar exaustão.
Na menopausa, a queda hormonal altera neurotransmissores ligados ao prazer.

Em todas as fases, o ponto comum é o sistema nervoso.

Quando o cérebro está seguro, descansado e emocionalmente regulado, o desejo encontra espaço para existir.
 

Como usar no dia a dia

• Pingue 1 gota do óleo essencial escolhido (neroli, ylang ylang ou rosa) em um pedaço de algodão e inale profundamente por até 10–15 minutos.
• Pode ser usado no difusor ambiental por 15 a 20 minutos, especialmente à noite ou em momentos de autocuidado.
• Utilize sempre óleos essenciais de qualidade e, em caso de dúvidas, consulte profissional habilitado.

Sobre Daiana Petry @daianagpetry

Aromaterapeuta, perfumista botânica, naturóloga e especialista em neurociência.

Professora dos cursos de formação em aromaterapia, perfumaria botânica e psicoaromaterapia.

Autora dos livros: Psicoaromaterapia, Cosméticos sólidos e Maquiagem ecoessencial.

Fundadora da Harmonie Aromaterapia.

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