sexta-feira, janeiro 9, 2026

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Emagrecer após os 40 anos passa a ser uma questão de saúde

Mudanças hormonais tornam o controle de peso mais complexo a partir dos 40 anos e a medicina do estilo de vida, aliada a protocolos modernos e bem indicados, ajuda a preservar massa magra e reduzir riscos cardiovasculares

Campinas, SP: A partir dos 40 anos, muitas mulheres percebem que o corpo começa a responder de forma diferente. Ganho de peso mais frequente, dificuldade para emagrecer, perda de massa magra, alterações de humor e sensibilidade emocional aumentada passam a fazer parte da rotina. Essas mudanças não significam, necessariamente, menopausa, mas refletem um período de transição hormonal que impacta diretamente o metabolismo e a composição corporal.

Esse é um momento em que o cuidado precisa ir além da estética, explica a ginecologista e obstetra Ana Carolina Massarotto. “Após os 40, emagrecer deixa de ser apenas uma questão de aparência. Passa a ser uma estratégia de proteção da saúde, especialmente cardiovascular”, afirma. Segundo a médica, a base de qualquer protocolo nessa fase da vida deve ser a medicina do estilo de vida, com atenção especial à alimentação equilibrada, sono de qualidade e rotina de atividade física. “Nenhum tratamento funciona se a mulher dorme mal, se alimenta de forma desorganizada ou vive em um estado constante de estresse. Esses pilares são indispensáveis”, reforça.

A alimentação balanceada, rica em proteínas, fibras, vitaminas e minerais, é fundamental para preservar a massa muscular e evitar o aumento da gordura corporal. A perda de massa magra acelera o envelhecimento metabólico e aumenta o risco de doenças como hipertensão, diabetes e problemas cardíacos. Por isso, a reposição de vitaminas e nutrientes, quando indicada após avaliação clínica e laboratorial, faz parte do cuidado. “Deficiências nutricionais são comuns nessa fase e interferem diretamente no humor, na disposição e na resposta ao emagrecimento”, alerta a médica que vivencia essa realidade. Aos 42 anos, foi diagnosticada com menopausa precoce, experiência que ampliou sua compreensão sobre os desafios enfrentados pelas pacientes. “Existe uma montanha-russa emocional diária. Mudanças hormonais afetam o corpo e a mente, e isso precisa ser levado em conta no tratamento”, relata.

Em alguns casos específicos, quando a mudança de estilo de vida não é suficiente, protocolos farmacológicos podem ser considerados, sempre sob indicação médica. Entre eles, a tirzepatida tem sido avaliada em pacientes acima dos 40 anos que apresentam comorbidades, como hipertensão ou resistência à insulina. “A tirzepatida não é uma escolha da paciente, nem uma solução isolada. É uma decisão médica, baseada em critérios clínicos claros”, explica Ana Carolina Massarotto. Entre os benefícios, a médica destaca a melhora do controle glicêmico, a redução do peso corporal e o impacto positivo sobre fatores de risco cardiovascular. “Para algumas mulheres, ela ajuda a quebrar um ciclo de inflamação, ganho de peso e perda de massa magra.”

Por outro lado, o protocolo também exige cautela. “Existem efeitos colaterais, como náuseas, alterações gastrointestinais e necessidade de acompanhamento contínuo. Além disso, sem mudança de hábitos, o resultado não se sustenta”, alerta. A suspensão do medicamento sem acompanhamento pode levar à recuperação do peso, o que reforça a importância de um plano estruturado e individualizado.

Para a ginecologista, o mais importante é que a mulher não atravesse essa fase sozinha ou mal orientada. “Cada caso é um caso. O que funciona para uma paciente pode não funcionar para outra. É preciso confiança no médico, acompanhamento próximo e clareza de que o tratamento é um processo, não uma promessa imediata.” Mais do que controlar o peso, o cuidado após os 40 anos é sobre preservar saúde, autonomia e qualidade de vida. Informação, hábitos consistentes e decisões médicas bem fundamentadas permitem que essa fase seja vivida com mais equilíbrio, no corpo e na mente.

Sobre a médica:

Ana Carolina Massarotto: médica graduada pela Faculdade de Medicina da PUC-Campinas, CRM Ginecologista e Obstetra pelo Hospital e Maternidade Celso Pierro da PUC-Campinas, especializada em endoscopia ginecológica pelo Hospital das Clínicas – USP, em Ribeirão Preto. Mestre em Ciências e Saúde pela PUC-Campinas, com a dissertação “Radioterapia parcial e acelerada de mama utilizando braquiterapia de alta taxa de dose para pacientes com estádio inicial de câncer de mama: análise uni-institucional.

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