Segundo o Pai Roberson Dariel, especialista em reconciliação de casais do Instituto Unieb, respeitar o próprio tempo é importante diante da raiva, da insegurança e da perda de confiança após a descoberta da infidelidade

Descobrir uma traição pode provocar uma ruptura emocional que vai muito além da relação em si. A notícia costuma despertar raiva, tristeza, insegurança, sensação de rejeição e perda de confiança, não apenas no parceiro, mas também na própria capacidade de tomar decisões. Em meio ao choque, é comum surgir a vontade de entender tudo imediatamente, cobrar explicações, terminar a relação ou, em alguns casos, tentar esquecer o que aconteceu e voltar à rotina como se nada tivesse mudado.
“Quando uma traição é descoberta, a pessoa não precisa ter todas as respostas no mesmo dia. Existe um impacto emocional muito grande e é natural passar por diferentes sentimentos, inclusive aqueles que parecem contraditórios. Em um momento existe raiva, no outro saudade, depois vem a vontade de se afastar e, às vezes, a vontade de voltar. Tudo isso faz parte de um processo que precisa ser vivido com tempo”, afirma Pai Roberson Dariel, especialista em reconciliação de casais do Instituto Unieb.
Assim como acontece em outros processos de perda, o fim da confiança também pode envolver diferentes fases emocionais. A pessoa pode passar pela negação, pela raiva, pela tristeza, pela tentativa de encontrar explicações e, aos poucos, chegar a uma forma diferente de compreender o que aconteceu. Não existe uma ordem obrigatória nem um prazo para essas emoções desaparecerem. Forçar uma recuperação rápida pode apenas esconder sentimentos que ainda precisam ser elaborados.
“Chorar faz parte. Ficar triste faz parte. Sentir raiva também faz parte. O problema é quando a pessoa acredita que precisa demonstrar força o tempo todo e não se permite viver aquilo que está sentindo. O primeiro cuidado é acolher a própria dor, porque só conseguimos tomar decisões mais conscientes quando começamos a colocar a cabeça no lugar”, explica Roberson.
A rotina também pode se transformar em um desafio. Lugares frequentados pelo casal, músicas, restaurantes, viagens, objetos dentro de casa e até horários específicos do dia podem trazer lembranças inesperadas. A pessoa pode se deparar com memórias justamente quando acredita estar melhor, o que pode gerar a sensação de que voltou à estaca zero. Nesse momento, é importante entender que lembrar não significa necessariamente querer voltar.
“Alguns lugares vão lembrar a pessoa, algumas músicas vão trazer sentimentos e determinados momentos do dia podem ser mais difíceis. Isso não significa que você não está conseguindo seguir em frente. A memória faz parte da história que foi construída. Aos poucos, novos momentos também vão ocupar esses espaços”, afirma.
Por isso, ocupar a mente e reconstruir a própria rotina pode ser importante durante esse período. Retomar amizades, praticar atividades que ficaram de lado, trabalhar, estudar, cuidar da casa, sair, viajar ou simplesmente encontrar novas formas de preencher o tempo ajudam a pessoa a perceber que sua vida não se resume ao relacionamento que terminou ou foi abalado pela traição. O cuidado, nesse momento, precisa voltar para quem sofreu a ruptura.
A dependência emocional também pode tornar esse processo mais difícil. Quando toda a rotina, segurança e expectativa de futuro estavam concentradas no relacionamento, a ausência do parceiro pode parecer impossível de suportar. Isso pode fazer com que a pessoa queira reatar não necessariamente porque acredita que a relação pode ser reconstruída, mas porque não consegue imaginar a própria vida sem aquela presença.
“É importante diferenciar saudade de dependência emocional. Sentir falta de alguém é natural, mas quando a pessoa acredita que não consegue existir, ser feliz ou seguir a vida sem aquele parceiro, existe uma dependência que precisa ser observada com cuidado. Não é saudável tomar uma decisão de reconciliação apenas para acabar com a sensação de vazio”, pontua o especialista.
E se depois da traição surgir vontade de reatar?
Mesmo depois de uma traição, pode surgir o desejo de voltar. O sentimento não desaparece automaticamente porque houve uma quebra de confiança. A saudade, o vínculo construído, os momentos bons e até o medo de perder definitivamente aquela pessoa podem continuar existindo. Por isso, decidir pelo término imediatamente ou pela reconciliação no calor da emoção pode não ser o melhor caminho para todos os casos.
“Se existe vontade de reatar, é preciso perguntar o que está levando você a querer voltar. É porque ainda existe amor e você enxerga possibilidade de reconstrução ou porque está com medo de ficar sozinho? Também é importante observar se a outra pessoa reconhece o que fez, assume responsabilidade e demonstra disposição real para mudar. Reconciliação não acontece apenas porque existe saudade”, explica Roberson.
A reconstrução da relação, quando escolhida, exige mais do que um pedido de desculpas. É necessário compreender o que levou à traição, estabelecer novos limites, recuperar a transparência e permitir que a confiança seja reconstruída gradualmente. Também é importante entender que perdoar, continuar junto e esquecer são coisas diferentes. Uma pessoa pode decidir perdoar e ainda assim perceber que não deseja permanecer naquele relacionamento.
“Não existe obrigação de perdoar rapidamente, nem de continuar uma relação apenas porque ainda existe amor. O mais importante é que a decisão seja tomada com consciência. Se o casal decidir tentar novamente, precisa existir disposição dos dois para construir uma relação diferente daquela que existia antes da traição”, afirma Roberson Dariel.
No processo de recuperação, também é importante evitar comparações com outras histórias e respeitar o próprio tempo. Enquanto algumas pessoas conseguem reorganizar a vida rapidamente, outras precisam de meses para voltar a se sentir seguras. O objetivo não deve ser esquecer o que aconteceu, mas conseguir olhar para a própria história sem permitir que a traição determine todas as escolhas futuras.
Sobre o Instituto Unieb
Fundado em 2010, o Instituto Unieb é o primeiro Instituto de Unificação Espírita do Brasil. Sob a orientação do Pai Roberson Dariel, realiza Consultas e Rituais Espirituais personalizados, oferecendo atendimento presencial e online para pessoas que buscam acolhimento, direcionamento e orientação em diferentes áreas da vida.

