sexta-feira, julho 3, 2026

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Canetas emagrecedoras mudam perfil do lifting facial no Brasil

Perda de peso acelerada leva pacientes mais jovens aos consultórios em busca de correção da flacidez e reposicionamento dos tecidos da face

A popularização das canetas emagrecedoras mudou a relação entre perda de peso e envelhecimento facial. Medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro ampliaram os resultados corporais em pouco tempo, mas também tornaram mais visível a flacidez facial. O fenômeno conhecido como rosto de Ozempic chega aos consultórios com queixas de aparência cansada, mandíbula caída e falta de volume.

O impacto aparece principalmente nos coxins adiposos, estruturas de gordura que sustentam bochechas, têmporas, mandíbula e região abaixo dos olhos. A retração cutânea não acompanha a mudança no mesmo ritmo, o que favorece sulcos profundos, papada e flacidez tecidual precoce. “O rosto tem compartimentos de gordura que funcionam como sustentação natural. Quando o paciente emagrece muito rápido, esses coxins adiposos diminuem e a pele perde apoio. O resultado pode ser uma face mais caída, com aspecto cansado, sulcos marcados e envelhecimento precoce, mesmo em pessoas mais jovens”, explica o cirurgião plástico David Di Sessa, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. 

A procura por lifting facial deixou de estar restrita a pacientes mais maduros. A cirurgia, antes associada a pessoas acima dos 50 anos, aparece cada vez mais frequente nos pacientes na casa dos 30 anos. O movimento acompanha a pressão estética das redes sociais, o emagrecimento medicamentoso e a busca por resultados mais naturais.

“Existe uma diferença importante entre emagrecer o corpo e preservar a harmonia do rosto. Aos 30 anos, o colágeno já começa a diminuir e a pele responde com menos elasticidade. Quando a perda de peso é muito rápida, a face pode envelhecer antes do tempo, porque volume, pele e sustentação deixam de acompanhar o mesmo processo”, enfatiza o cirurgião plástico. 

Esse novo comportamento explica a presença crescente de pacientes jovens interessados em minilifting, lifting facial e técnicas que tratam planos profundos da face. O objetivo não é alterar traços, mas reposicionar tecidos, recuperar o contorno e corrigir o excesso de pele. Em muitos casos, procedimentos dermatológicos isolados não conseguem compensar a perda estrutural provocada pelo emagrecimento acelerado.

“Bioestimuladores, lasers e preenchedores ajudam em quadros leves, mas eles não substituem a cirurgia quando existe queda real dos tecidos. O lifting facial reposiciona estruturas profundas e trata a flacidez de maneira mais efetiva. A indicação depende de avaliação individual, estabilidade do peso, qualidade da pele e grau de perda dos coxins adiposos”, completa o profissional.

Para Di Sessa, esses casos ajudam a ampliar a conversa, mas não devem substituir avaliação médica. Fotos, ângulos, maquiagem, idade, perda de peso e procedimentos anteriores podem mudar a percepção pública sobre um rosto. “O ponto central é entender que nem todo paciente terá flacidez intensa, e nem toda flacidez precisa de lifting facial”, alerta.

O avanço das canetas emagrecedoras cria uma nova etapa na medicina estética. A perda de peso deixa de ser avaliada apenas pelo corpo e passa a incluir o impacto sobre a face, o pescoço e a identidade visual do paciente. A tendência reforça a importância de acompanhamento médico, planejamento e indicação precisa antes de qualquer procedimento de rejuvenescimento facial.

“O paciente precisa ser avaliado de forma individual. Algumas pessoas recuperam bem a pele depois do emagrecimento, outras apresentam sobra cutânea e queda importante. O mais seguro é esperar o peso estabilizar, estudar a anatomia da face e indicar o tratamento adequado, sem transformar o lifting facial em uma solução automática”, conclui David Di Sessa. 

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