Estudo da MindMiners mostra como a atividade física ganha novos significados com o avanço da idade e passa a ser associada à qualidade de vida, bem-estar e envelhecimento saudável

Depois dos 40, a relação dos brasileiros com a atividade física passa por uma transformação. A busca por desempenho, corpo “perfeito” e alta performance perde espaço para objetivos mais ligados à saúde, como preservar a mobilidade, manter a autonomia, reduzir o estresse e garantir disposição para a rotina. Em vez de superar limites, muitos brasileiros maduros passam a enxergar o exercício como uma forma de continuar realizando as atividades do dia a dia com qualidade.
É o que mostra o estudo exclusivo “40+: Poder, consumo e novos significados”, realizado pela MindMiners, que investigou hábitos, comportamento e consumo de brasileiros acima de 40 anos, que representam 45% da população, conforme a pesquisa. Entre os principais achados está a transformação da relação com a atividade física ao longo da idade: a prática segue presente em todas as faixas etárias, mas muda de significado com o passar do tempo.
A caminhada, por exemplo, ganha força depois dos 50. Elá é praticada por 56% das pessoas de 40 a 49 anos; entre 50 e 59 anos, o índice sobe para 72%; e chega a 74% após os 60. Já a corrida de rua aparece entre 17% dos entrevistados de 40 a 49 anos, cai para 7% entre 50 e 59 e retoma o fôlego entre os 60+, alcançando 11% da preferência.
Outras atividades também entram no top 5 da rotina dos maiores de 40 anos. São elas musculação (33%), ciclismo (10%) e natação (8%).
Para a Diretora de Excelência do Cliente e Expansão da MindMiners, Rosana Camilotti, a mudança revela uma nova percepção sobre envelhecimento e saúde. 778
“Aos 40+, o exercício deixa de estar ligado apenas à performance ou aparência. Ele passa a ser entendido como ferramenta de continuidade da vida: para ter energia, mobilidade, autonomia e disposição para sustentar a rotina”, afirma a executiva.
Corpo funcional vira prioridade
O estudo da MindMiners mostra ainda que a prática física está diretamente relacionada ao bem-estar emocional. Em meio a níveis elevados de estresse, com oito em cada dez entrevistados afirmando enfrentar algum grau de tensão no dia a dia, a atividade física aparece como uma das principais estratégias de enfrentamento, especialmente entre os mais maduros.
“Existe uma percepção muito clara de que o corpo começa a cobrar a conta nessa fase da vida. E isso muda prioridades. A atividade física passa a ser vista menos como um projeto estético e mais como manutenção da saúde física e mental”, diz Rosana Camilotti.
Essa mudança de comportamento acompanha uma tendência global relacionada ao envelhecimento saudável: o conceito de healthspan, que prioriza não apenas viver mais anos, mas viver esses anos com independência, saúde e qualidade de vida.
Para especialistas e profissionais da área, essa nova visão também exige uma mudança na forma como o envelhecimento é comunicado. O público maduro passa a buscar soluções que façam sentido para sua rotina, com foco em prevenção, funcionalidade e bem-esta
“O consumidor maduro não quer necessariamente performar melhor. Ele quer continuar funcionando bem. É uma mudança importante porque redefine a forma como marcas de saúde, academias e até aplicativos precisam conversar com esse público”, afirma a executiva da MindMiners.
A era do equilíbrio e continuidade
A pesquisa também sugere que a transformação vai além do exercício físico. Ela acompanha uma revisão mais ampla da vida adulta madura, marcada pela busca de simplificação, equilíbrio e continuidade. Em vez de excessos, a prioridade passa a ser a consistência.
Esse comportamento aparece inclusive no conceito de “healthspan”, apontado pela pesquisa como uma das principais tendências globais ligadas ao envelhecimento. A ideia é trocar a obsessão por viver mais anos pela meta de, sobretudo, viver melhor durante esses anos, com saúde, autonomia e qualidade de vida.
Para Rosana, o mercado ainda subestima o impacto dessa mudança. “Durante muito tempo, o envelhecimento foi tratado como nicho ou vulnerabilidade. Mas os 40+ estão reorganizando o consumo, inclusive na saúde e no bem-estar. Eles são mais exigentes, mais pragmáticos e tendem a abandonar soluções que complicam a vida em vez de facilitar”, afirma.
O que muda para marcas e mercado fitness
O estudo mostra ainda que essa busca por funcionalidade aparece em outras áreas do cotidiano. Entre os entrevistados maduros, cresce a valorização de experiências simples, intuitivas e menos desgastantes, seja em tecnologia, serviços ou consumo.
Na saúde e no mercado fitness, isso começa a pressionar empresas a rever linguagem, produtos e até a lógica de engajamento. Em vez de campanhas centradas em superação extrema, performance ou transformação estética, cresce a demanda por soluções ligadas à longevidade, recuperação, mobilidade, saúde mental e constância.
Não por acaso, o levantamento identifica a “economia da longevidade” como uma das grandes transformações em curso: pessoas acima de 50 anos devem responder por 48% do crescimento global do consumo nos próximos anos.
Para a executiva da MindMiners, o setor ainda está aprendendo a conversar com esse público. “Muitas marcas ainda tratam atividade física a partir de uma lógica de performance extrema, quando boa parte dos consumidores maduros está buscando continuidade. Existe uma oportunidade enorme para empresas que entenderem que envelhecer bem hoje significa manter autonomia, energia e qualidade de vida, e não necessariamente bater recordes”, afirma.
A mudança da atividade física revela algo maior: envelhecer bem deixou de ser apenas uma preocupação individual e passou a orientar escolhas de rotina, saúde e estilo de vida. Para uma geração que vive uma fase de intensa atividade pessoal e profissional, continuar em movimento passa a ser mais importante do que acelerar.
___
MindMiners
A MindMiners é uma solução de consumer insights. Por meio da combinação de tecnologia proprietária, dados exclusivos, inteligência analítica e atendimento especializado, auxilia grandes marcas a compreenderem o comportamento do consumidor e tomarem decisões com mais rapidez e consistência. A companhia conta ainda com um painel proprietário de respondentes, o MeSeems, com mais de 5 milhões de pessoas em todo o Brasil, que compartilham hábitos, preferências e comportamentos, formando um amplo banco de dados sobre o consumidor brasileiro. Entre os clientes que integram a carteira da MindMiners estão marcas como Itaú, Renner, Vivo, Samsung, Natura, Santander, Ambev, TikTok e Nubank. Saiba mais: https://mindminers.com/

